A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 23/05/2020
A partir do final do século XVIII, o mundo mudou a forma e a noção referente ao trabalho. A chamada Revolução industrial, permitiu mudanças nos meios de produção e, consequentemente, o número de trabalhadores aumentou. No entanto, com a necessidade de se produzir em larga escala e obter lucro, a exploração surgiu como um recurso simples e eficaz. Todas as classes mais vulneráveis, inclusive crianças, estavam sujeitas ao abuso e o salário se tornou uma realidade para poucos. Nesse contexto, atualmente, a baixa escolaridade dos empregados e o racismo, são fatores que possibilitam a emersão de um cenário explorador e, portanto, medidas devem ser tomadas a fim de mitigar essa problemática.
Em primeiro lugar, deve-se ressaltar como a ausência de ensino básico e médio comprometem a vida de muitos trabalhadores. Segundo pesquisa do FNPeti( Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil), atualmente há no Brasil cerca de 4 milhões de crianças e adolescentes na faixa do 5 aos 14 anos trabalhando. Nesse sentido, por mais que a legislação brasileira oprima esses ambientes, muitos jovens ingressam no mercado de trabalho cedo como forma de ajudar a família. Todavia, muitos são obrigados a trabalhar sem remuneração, o que influencia diretamente na saúde mental do mesmos. Dessa forma, seria negligente não notar o impacto da falta de estudos e a consequente exploração dessa classe marginalizada.
Sob outro prisma, observa-se a utilização do discurso racista como justificativa para o abuso no mercado de trabalho. Segundo o líder rebelde e ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela, as vidas negras são baratas, e continuará assim enquanto o Apartheid - regime de segregação racial - existir. Tal afirmação tem relação direta com a pesquisa realizada pela Associação Aliança Bike em que, mais de 70% dos trabalhadores de aplicativos e que recebem remuneração inferior a um salário mínimo, são negros. Desse modo, compreende-se que mesmo 200 anos após o fim da escravatura, a população negra continua sendo o principal alvo de violência e de exploração na sociedade moderna.
Em suma, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, o Governo Federal, em conjunto com o Ministério do Trabalho, deve elaborar políticas e diretrizes que possam punir os exploradores e fornecer assistência aos afetados. Tais medidas podem ser feitas por meio da criação de órgãos fiscalizadores, que entrem em contato com as comunidades a fim de receber informações mais precisas dos locais de abuso e após a denúncia, encaminhar os afetados para centros de ajuda psicológica, aonde passarão por uma avaliação clínica, e após o tratamento, serão encaminhados para as escolas. Essas ações têm o intuito de diminuir a exploração e permitir que todos tenham direito ao trabalho digno e assalariado, abrindo caminho para uma sociedade mais justa e igualitária.