A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 13/06/2020

A “Uberização” é o mais novo estilo informal, flexível e autônomo, introduzido por vias tecnológicas, do trabalho no século XXI. Por outro lado, esse mesmo fenômeno é um dos principais responsáveis pela exploração trabalhista na sociedade moderna. Nesse viés, os trabalhadores por aplicativos de comida ou viagens, por exemplo, não possuem seus direitos trabalhistas garantidos e correm riscos todos os dias à sua saúde.

Primeiramente, é válido apontar que o discurso de que os trabalhadores são “empreendedores” por parte das empresas de aplicativos é o principal responsável pela ausência de direitos dos mesmos. Entretanto, enquanto o significado de ser empreendedor é causar um impacto positivo na vida das pessoas por meio de inovações, esse ofício não traz benefícios para os seus empregados, pois eles trabalham muitas horas para ganhar um salário menor que o mínimo. Por conseguinte, conforme o pensamento do sociólogo Karl Marx, o conceito de mais valia absoluta pode ser aplicado nesse cenário no qual esses labutadores trabalham mais do que o necessário à subsistência, mas a maior parte dos lucros é direcionado para os capitalistas (as empresas dos “apps”).

Outrossim, é fato que, sem seguro de vida, visto que as empresas não o proporcionam, os entregadores correm riscos de vida todos os dias no trânsito. No entanto, mesmo sabendo disso eles optam por trabalhar nesse ramo por causa do alto índice de desemprego no Brasil, com 12,5% da população ativa desempregada, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Logo, é encontrado nesses aplicativos uma forma de trabalho que “promete uma autonomia” e ao mesmo tempo explora o servidor. Ademais, esse tipo de modalidade de ofício incentiva a competição entre os trabalhadores, transformando-os cada vez mais em individualistas, com o foco direcionado somente a renda que fará no fim do dia, que não é grande, descartando os outros colegas de trabalho.

Torna-se claro, então, que é imprescindível a tomada de decisões que mitiguem a exploração trabalhista na sociedade moderna para que haja a garantia dos direitos do trabalhador. Portanto, é necessário que a Organização Internacional do Trabalho institua como obrigatório o seguro de vida, bem como os demais direitos trabalhistas, concedidos pelas empresas de aplicativos, através de uma lei internacional a fim de que essa modalidade de ofício se torne mais justa. Além disso, o Ministério do Trabalho deve proporcionar mais empregos através da vinda de multinacionais estrangeiras ao território brasileiro, que ofereçam além do trabalho um pequeno curso profissionalizante, para que as pessoas não precisem se submeter aos “apps”. Dessa forma, a “Uberização” do trabalho será realmente tão benéfica, para ambos os lados, fornecedor e consumidor,  como as empresas pregam que é.