A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 05/06/2020

Um indivíduo em desespero, ao passo que, em seu entorno, personagens mostram-se apáticos a esse sofrimento. É isso o que se observa no quadro “O grito”, do pintor Edvard Munch. Contudo, percebe-se que essa indiferença frente aos problemas alheios não se limita à obra expressionista, posto que, na realidade, as vítimas da exploração trabalhista têm sido negligenciadas por determinados setores da sociedade. Nesse prisma, cabe analisar essa questão no Brasil.

De início, pontua-se que o Poder Público revela-se omisso ao permitir essa exploração. Isso porque existe uma deficiência no processo de investimento financeiro na geração de empregos, uma vez que a falta destes tem levado parte da população, diante da necessidade de garantir alguma forma de sustento, a se submeter a condições precárias de trabalho, as quais incluem, por exemplo, jornadas excessivas e má remuneração. Vê-se, então, que o Estado não tem assegurado o bem-estar de toda a coletividade, demonstrando um desrespeito aos princípios previstos na Constituição Federal de 1988.

Ademais, nota-se que uma parcela da sociedade não tem questionado a exploração trabalhista, o que denota uma banalização do mal. Confirma-se isso pela postura resignada de algumas pessoas diante da falta de assistência governamental, visto que falta oferecer um maior acesso ao ensino superior. Percebe-se, com isso, que a desigualdade na formação educacional tende a excluir parte da população do processo de especialização da mão de obra, o que acarretará, posteriormente, em uma marginalização do mercado de trabalho formal. A naturalização dessa problemática pode ser explicada a partir dos estudos da filósofa Hannah Arendt, posto que, segundo ela, a massificação social tem sido responsável por comprometer a capacidade crítica do indivíduo, o qual passa a aceitar, de maneira inerte, quadros negativos.

Infere-se, portanto, que a exploração trabalhista deve ser combatida. Logo, é necessário que o Estado, mediante atuações do Poder Executivo, promova um maior direcionamento de verbas para a criação de empregos, priorizando a garantia de jornadas de trabalho e remunerações adequadas, com o intuito de reduzir a exploração e, consequentemente, a precariedade das condições de vida do trabalhador. Também, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas produzidas por ONGs, sobre a importância de se adotar uma postura não resignada diante dessa problemática, potencializando, assim, a mobilização coletiva em prol de uma assistência governamental que assegure a ampliação do acesso ao ensino superior, visando, por meio da qualificação da mão de obra, à diminuição da marginalização do mercado de trabalho formal. Desse modo, a indiferença frente aos problemas alheios poderia ficar restrita à obra de Munch.