A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 29/05/2020
No século XIX, com a eclosão da Revolução Industrial, o número de fábricas e indústrias cresceram drasticamente por todo o mundo. Características do modelo capitalista, visavam conquistar o maior lucro possível, obrigando seus funcionários a jornadas de trabalho desumanas em troca de seus salários. A classe proletária passou a viver sob condições deploráveis na tentativa de sobreviver. Esse modelo originado séculos atrás possui raízes tão profundas na sociedade capitalista que até os dias atuais a exploração trabalhista continua sendo um problema presente em todas as partes do globo.
De acordo com Karl Marx, o trabalhador só é produtivo caso produza mais-valia para o capitalista. Sob a perspectiva de Marx, na sociedade moderna o trabalho excedente ocorre principalmente através da alienação dos funcionários, onde planos de metas e jornadas de trabalho maiores que as negociadas são implementadas no campo de trabalho, e sem que os empregados percebam, através da ilusão de que quanto mais trabalharem, maior a chance de serem beneficiados, só geram maior lucro para o capitalista sem obter nada em troca, sem enxergarem a real intenção de seu trabalho. Ademais, fundamentos religiosos também contribuem para a exploração dos trabalhadores, quando pensam que devem ser gratos por possuírem um emprego enquanto muitos não têm, mesmo sob altas custas.
Por conseguinte, os indivíduos da classe trabalhadora são expostos diariamente a situações de extrema pressão em seus espaços de trabalho, e por necessitarem de meios para sobreviver, são obrigados a conviverem nessas condições. Deste modo, a saúde mental dos empregados é fortemente abalada, e o índice de casos de depressão e ansiedade entre esses sujeitos cresce cada vez mais, afetando não só eles mesmos mas suas relações pessoais. Por muitos não aguentarem a opressão que a ideia de que “quem quer dá um jeito” exerce sobre eles, as taxas de suicídios tornam-se ainda maiores. Segundo Émile Durkheim, esse tipo de suicídio é classificado como egoísta, quando o indivíduo retira sua própria vida pela pressão social que sofre, e é prevalecente na sociedade moderna.
Fica evidente o descaso por parte do Estado em relação a situação atual dos trabalhadores. Portanto, cabe ao mesmo a ampliação dos direitos trabalhistas, proporcionando profissionais que cuidem da saúde tanto mental quanto física dos produtores, além de um ambiente seguro no espaço de trabalho, a fim de garantir a melhora na situação vivida cotidianamente pelos mesmos. Para garantir que os órgãos privados e públicos cumpram as normas estabelecidas, uma parceria com o governo federal pode ser feita para a disponibilização de agentes fiscalizadores em cada estado. Outrossim, os empregados devem se manifestar com o objetivo de reivindicar seus direitos trabalhistas para tornar maior a cobrança sobre o governo. Dessa maneira, talvez a exploração trabalhista se torne inexistente.