A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 17/06/2020

Na obra literária “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, o autor denuncia a escravização do homem pelo homem, representada pelo personagem de João Romão, em que sua figura é agregada ao capital,  na qual visa enriquecer a qualquer custo, desde a exploração de seus subordinados aos roubos. No entanto, observa-se, na contemporaneidade a conversão dos modelos de tirania, posto que o valor monetário tornou-se prioridade no âmbito social. Nesse contexto, surge a negligência do poder público, bem como a indústria cultural como paradigmas desse impasse.

Deve-se pontuar, de início, o desnivelamento de políticas públicas acerca do abuso trabalhista na sociedade moderna, uma vez que o Estado não promove diplomacias adequadas e suficiente na fiscalização das redes de empreendimento no Brasil. Ademais, o poder executivo não dispõe de ações assistenciais para auxiliar a capacitação da comunidade e integrá-la no corpo social, projetando, assim, a diminuição dos quadros de avassalamento. Segundo Peter Drucker, “A economia da educação torna-se refém da tecnologia da informação. De intensiva de trabalho, a escola passará a intensiva de capital". Nesse sentido, nota-se que quanto mais alta a especialização, mais caro é a mão de obra e quanto maior a desinformação, mais barato é o serviço e mais fácil de manipulá-lo. Por analogia, mais dinheiro é gerado para o governo e menor é o custo pelo empregado.

Outrossim, é necessário enfatizar a massa mercantilista como novo molde de exorbitância ocupacional, visto que a indústria tenciona apenas o lucro e habilita o indivíduo como um mero produto do capitalismo, banalizando os direitos trabalhistas e comercializando a escravização contemporânea. De acordo com o geólogo Milton Santos, “A globalização quer culpar os miseráveis pela sua própria miséria”. A partir desse ponto, percebe-se que, para o sistema, é benéfico e lucrativo que existam pessoas miseráveis passando fome, porque, assim, elas vendem sua mão de obra por um preço mais barato, tornando-se até escravas para conseguir o que comer.

Entende-se, portanto, que é imprescindível fomentar medidas de combate as novas formas de exploração na sociedade. Assim sendo, é responsabilidade do Ministério do Trabalho, por intermédio das prefeituras municipais, viabilizar verbas do orçamento público para projetos que possuam a finalidade de despertar o discernimento da população em relação aos protótipos de vassalagem, sobretudo nas áreas de baixa rentabilidade. Além de efetuar campanhas de abrangência nacional, em conjunto com as redes sociais, com o objetivo de auxiliar o indivíduo que está resignado ao despotismo. Em suma, cabe ao Ministério da Educação, por meio das escolas, implantar na grade didática do ensino médio, mecanismos de informações de tal tema, a fim de atenuar os impactos dos abusos trabalhistas.