A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 16/06/2020

‘‘O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles". Essa afirmação da filósofa Simone de Beauvoir pode servir de metáfora a exploração trabalhista no âmbito brasileiro, uma vez que, por mais escandalosa que seja essa situação, poucos são os esforços destinados a resolvê-la. Indubitavelmente, tal conjuntura advém tanto da influência industrial quanto do silenciamento pessoal.

Deve-se analisar, primeiramente, que o domínio industrial sobre o indivíduo é um fator determinante para problemática. Segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o conhecimento deve estar vinculado aos problemas do presente. Nesse sentido, sabe-se que a exploração profissional é um impasse enraizado na população desde a primeira Revolução Industrial, ao qual os meios profissionais, perpetuavam o total controle aos empregados que, por consequência, trabalhavam em altas cargas horárias para suprir a necessidade fabril. Diante disso, é sólido que tais conjunturas ainda estar eminentemente enraizada na sociedade.contemporânea, acarretando, dessa forma, graves transtornos na saúde física e mental dos indivíduos trabalhadores. Logo, é substancial a dissolução desse panorama infringente.

É vital evidenciar, ainda, que a exploração trabalhista no Brasil encontra terreno fértil no silenciamento da população. Acerca dessa assertiva, Habermas faz uma contribuição que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob essa óptica, para que haja a exclusão do trabalho exploratório, é necessário discutir sobre. No entanto, percebe-se certa lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada, pois a sociedade se mantém passiva e calada diante tal problematização, além do que, conforme o levantamento da agência O Globo, em 2018, ações fiscais do governo federal, identificaram 1,7 mil casos de exploração trabalhista. Nessa lógica, trazer à parte esse tema e debatê-lo, amplamente, aumentaria a chance de atuação nele.

Portanto, pela perspectiva de Isaac Newton, uma força só é capaz de sair da inércia se outra lhe for aplicada, dando sentido ao movimento. Em vista disso, depreende-se, o Poder Legislativo, como instância máxima da administração pública legislativa, juntamente com a secretaria especial do Ministério do Trabalho, por meio de ações: leis mais rígidas de proteção trabalhista, fiscalizações mais severas conjuntas com o governo federal, investigar através de pesquisas populacionais os casos de explorações no cenário profissional, para que, de tal forma, os entraves exploratórios nas esferas ocupacionais, possam ser excluídos do núcleo brasileiro, punindo, rigidamente, os infratores. Somente, assim, os escândalos mimetizados por Simone de Beauvoir poderão ser desabituados da nação brasileira.