A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 22/06/2020
Charles Chaplin em seu filme “Tempos Modernos”, já se banhava de uma atemporalidade gritante. A obra retratava em tom de humor o cotidiano de um trabalhador em plena Revolução Industrial, onde o capitalismo se mostrava voraz e selvagem. Jornadas de trabalho absurdas, direitos trabalhistas inexistentes, entretanto, salários baixos e vantagens ínfimas.
A partir da mínima consciência, as crianças são ensinadas culturalmente que trabalhar não é algo prazeroso, mas necessário. Deste modo, na mente da sociedade de modo entranhado o trabalho é visto para nós como algo cansativo, estressante e com pouco retorno, entretanto estamos presos a ele. Em um mundo cada vez mais capitalista, uma sociedade baseada no consumo e na hierarquia, o individuo deve se submete a aquilo que não gosta, para comprar o que não precisa objetivando muitas vezes e ser aceito socialmente.
Ademais, tal hierarquia benefícia cada vez mais os que tem muito e prejudica os que tem pouco. Não é novidade e nem desconhecido que grandes empresários no geral recebem incentivos exagerados do governo, e muitas vezes tem dívidas com impostos perdoadas e suavizadas. Entretanto tais benefícios deveriam servir para valorizar o pequeno trabahador e as vantagens distribuídas, mas isto não acontece. O lucro é o único objetivo, já trabalhador por sua vez, visto como um mal necessário, paga-se o mínimo, para que ele produza o máximo.
Observando as relações trabalhistas atuais, fica claro o surgimento de uma neo-escravidão, com suas bases firmes e imutáveis. É necessário que se observe o problema de duas lentes; a lente global e a individual. Quando se vê a exploração do trabalhador, o governo deve intervir implacavelmente, cada vez mais garantindo e ampliando direitos e garantias, e do ponto de vista individual, é necessário o questionamento da dita sociedade baseada em consumo e no dinheiro. Com mudanças neste sentido, o filme do saudoso Chaplin, será apenas um bom filme de comédia e não uma crítica social.