A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 24/06/2020

No livro, A Máquina do Tempo, do britânico H.G. Wells, é relatado uma aristocracia estabelecida no ano 8 milhões d.C., nela, operários subterrâneos adquiriram características monstruosas devido ao muito trabalho e pouca luz solar. Fora da ficção, hodiernamente, a exploração trabalhista persiste na sociedade, seja por conta da inflação, seja por conta do marketing digital.

Em primeiro plano, a quebra dos direitos trabalhistas, relacionadas com a desvalorização do dinheiro, é uma realidade - gerentes e funcionários precisam se esforçarem mais para compensarem os movimentos da economia. A inflação ocorre quando, de modo geral, os  preços aumentam sem que haja ajuste salarial por parte do governo. Dessa forma, indivíduos, por uma real necessidade, submetem-se a exaustivas jornadas de trabalho, que ultrapassam, em horas, as permitidas pela Constituição Federal. Assim, a modernidade enfrente um tipo de exploração generalizada e nociva.

Em segundo plano, as propagandas atuais tendenciam a sociedade à futilidade de adquirir o que não precisam, levando-a, indiretamente, a um ciclo exploratório de serviço, o qual pode afetar a saúde física e mental. Segundo o filósofo, Gilli Lipovestky, a hiperrealidade, termo de sua autoria, trata-se de uma ilusão concebida pelo marketing através de associações de novos valores a produtos, com fim único de melhor vendê-los. Assim,  por exemplo, um creme dental ligado à felicidade vende mais do que outro sem esse vínculo. Nesse contexto, a sociedade, movida por uma necessidade inexistente, passa a buscar horas extras e a comprometer sua saúde. Dessa maneira, como na ficção supracitada, a atual geração distingui-se da sua antecessora pelo excesso de trabalho.

Destarte, fica visível a face da exploração do serviço na sociedade contemporânea. Por tal motivo, o Ministério da Educação, com o objetivo de reduzir a influência da hiperrealidade na visão da população e, consequentemente, evitar exacerbados períodos de atividade remuneradas, deve promover acesso a ideias que explanem acerca do mercado e suas ferramentas de venda na atualidade. Para tanto, é válido o uso de encontros pedagógicos com debates filosóficos sobre o tema, bem como lives no youtube, ou memes educativos no instagram - as ações do MEC precisam respeitar a liberdade dos cidadãos e apenas conduzi-los à epifania da mudança. Finalmente, atingir-se-á um sociedade que considera os limites dos seus corpos.