A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 29/06/2020

A uberização do trabalho é um fenômeno moderno que se apoia no modelo de empreendedorismo, onde não há um patrão e a jornada de trabalho é flexível. Esse modelo, majoritariamente usufruido por jovens e desempregados, é desprovido de fiscalização efetiva e pode levar a casos de exploração trabalhista. A falta de empregos para toda a população, por sua vez, se deve, muitas vezes, à falta de mão de obra qualificada. Assim, hão de ser analisados tais fatores, a fim de que se possa liquidá-los de maneira eficaz.

Convém ressaltar, a priori, que o problema advém, em muito, da ausência de mecanismos fiscalizadores dos casos de exploração, sejam eles, informativos ou coercitivos. Ora, se o trabalhador não tem consciência de que sua rotina de trabalho é abusiva, ele provavelmente não irá denunciar e, o que é pior, ele tentará se acostumar com suas tarefas. Isso se exemplifica na situação dos motoristas e ciclistas de aplicativo de entregas. Além disso, as empresas, ao observar a ausência de regras que protejam o trabalhador, não se importam com a situação. Logo, é substancial a alteração dessa situação desumana.

Outrossim, é imperativo pontuar que a exploração trabalhista deriva, ainda, do desemprego acentuado vigente no Brasil. Com os índices de desemprego atingindo quase 13 milhões de pessoas, os serviços precarizados se tornam uma opção se obter uma fonte de renda. Isso se torna mais claro, por exemplo, ao se observar uma pesquisa do jornal El país, o qual diz que mais da metade dos ciclistas de “delivery” escolheram o cargo devido ao desemprego. Desse modo, faz-se míster a reformulação desse cenário de forma urgente.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater a exploração trabalhista na sociedade moderna. Para tanto, cabe ao Governo Federal, a criação de mecanismos de fiscalização do trabalho, por meio de campanhas informativas aos trabalhadores e de multas à empresas descomedidas para que as situações de abuso do trabalhador se reduzam, visto que nem todos sabem de sua condição como explorado. Além disso, cabe aos municípios a tarefa de incentivar a qualificação profissional, por meio da construção de novos centros acadêmicos especializantes, para que as pessoas possam ter uma formação que as garanta um cargo futuro, visto que a pouca mão de obra qualificada é um dos motivos do desemprego. Assim, atenuar-se-ia a situação gerada pela uberização do trabalho.