A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 27/06/2020
A 1ª Revolução Industrial, época de consolidação do sistema capitalista, foi marcada pela exploração trabalhista. Longas jornadas, falta de higiene e baixos salários eram alguns dos motivos pelos quais filósofos, como Karl Marx, denunciaram a condição do proletariado. Entretanto, quadros análogos a esse ainda existem e, portanto, é preciso discutir os fatores que colaboram para o problema.
Primeiramente, é importante ressaltar como empresas aproveitam-se da mão-de-obra disponível em contextos de crise, provocando condições de trabalho abusivas. Nessa ótica, enquadra-se o filme Tempos Modernos de Charles Chaplin, o qual retrata uma grande indústria que, em meio ao desemprego, não se importa em garantir condições laborais adequadas aos empregados, os quais estão submetidos a situações perigosas e a baixos salários, por exemplo. Semelhante, grandes organizações atuais, como as de entrega por aplicativo, não fornecem direitos ou contratos a seus trabalhadores, que não possuem opção, o que é abordado na reportagem do El País. Nesse sentido, há empresas que, em crises, se aproveitam da mão-de-obra, sem pensar nos direitos individuais.
Em segunda análise, é pertinente destacar a desigualdade social como outra razão do problema. Segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, a sociedade é uma hierarquia de poderes e os que detêm maiores capitais, como o econômico e o cultural, do conhecimento, mantêm os outros em posição desfavorecida. Assim, na modernidade, as pessoas mais privilegiadas, com mais tempo e recursos para uma formação conseguem postos de trabalho com melhores condições, mas, por outro lado, as vítimas da desigualdade têm de recorrer aos subempregos.
Destarte, medidas devem ser adotadas para que a exploração trabalhista moderna seja atenuada. Então, urge que o Ministério Público do Trabalho, com o fito de assegurar direitos laborais a todos, impeça as ações abusivas de empresas para com empregados. Isso acontecerá por meio da aliança com o Legislativo, no âmbito de criar leis que dêem mais oportunidades de denúncias e por meio da fiscalização, inclusive das organizações de aplicativos.