A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 16/07/2020
O poema “No meio do caminho”, do escritor modernista Carlos Drummond de Andrade, revela, de forma metafórica, a existência de obstáculos no percurso humano. De maneira análoga, a exploração trabalhista tornou-se uma pedra no meio do caminho da sociedade moderna, haja vista que impede a efetivação do pleno bem-estar social dos trabalhadores. Assim, é preciso analisar como a busca incessante pelo lucro e o descaso com a saúde do empregado contribuem para a persistência desse grave problema na sociedade brasileira.
A princípio, uma das principais causas para a exploração é a cultura do capitalismo econômico. Nesse viés, o filme “Tempos Modernos”, de Charlie Chaplin, retrata a situação dos operários perante à Revolução Industrial, na qual eles eram submetidos a uma forma de produção que tinha como único objetivo o lucro, independente das condições físicas e psicológicas dos trabalhadores. É inegável que essa obra seja considerada atemporal pois, mesmo que, atualmente, os direitos trabalhistas sejam mais eficazes, com jornada de trabalho definida, férias remuneradas e entre outros, o fantasma da exploração ainda está presente nas relações empregatícias. Ademais, é evidente que existe uma hierarquia, na qual o maior prejudicado é o elo mais fraco da relação - o trabalhador.
Outro ponto que deve ser destacado, é o descaso com a saúde psicológica do empregado. Nesse sentido, cada vez mais, aumentam os casos de depressão decorrentes do discurso empreendedor que aconselha o trabalhador a utilizar o máximo de seu tempo para produzir, apoiando-se numa ideia meritocrática de “quem quer consegue”. Sendo assim, as relações familiares são abaladas, surgem os problemas de saúde e os indivíduos perdem a empatia, já que, como defendia Maquiavel, “os fins justificam os meios” e, muitas vezes, os meios para o sucesso fogem ao senso de coletividade. Dessa forma, não é razoável que o Brasil almeje tornar-se uma nação desenvolvida, mas enfrente esse retrocesso: a exploração trabalhista.
Portanto, diante dos desafios supramencionados, é necessária a ação conjunta do Estado e da sociedade para mitigá-los. Em primeiro plano, para que haja melhora nas relações trabalhistas, o Ministério do Trabalho deve intervir, garantindo e ampliando os direitos dos trabalhadores, assim como deve fiscalizar o cumprimento desses direitos. Além disso, cabe aos órgãos públicos, assim como os privados, o cuidado com a saúde física e mental do empregado, oferecendo acompanhamento médico e psicológico. Espera-se, com isso, construir, no Brasil, uma sociedade mais igualitária e justa a fim de que supere os obstáculos encontrados no poema “No meio do caminho” do escritor modernista Carlos Drummond de Andrade.