A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 10/07/2020

A palavra “trabalho” (do latim “tripalium”), etimologicamente, refere-se a uma ferramenta de tortura. Embora, ao longo dos anos, seu significado prático modificou-se, ainda hoje verifica-se, na sociedade moderna, traços de crueldade no que diz respeito às condições trabalhistas. Sob essa perspectiva, cabe ponderar acerca da exploração laboral, fazendo-se mister abordar as esferas do ofício informal e do “home office”.

A princípio, urge apontar a questão dos trabalhos informais contemporâneos, sobretudo aqueles gerados por aplicativos, posto que um estudo publicado pelo Estado de São Paulo em 2019, concluiu que cerca de quatro milhões de pessoas trabalham usando-os no Brasil. Assim, é necessário compreender a situação laboral por meio dos relatos dos usuários, bem como o de Paulo Lima, um entregador que “viralizou” ao falar da ausência de suporte financeiro e emocional para com sua classe. Logo, se nada mudar, o sistema atual dos empregos informais continuará beneficiando apenas o empregador e os direitos desse grupo social serão, cada vez mais, destruídos.

Outrossim, convém ressaltar o âmbito tangente ao trabalho realizado em casa. Afinal, diante da pandemia, o número de indivíduos que precisou adotar essa modalidade aumentou. Então, na hodiernidade, nota-se a fusão entre “trabalho” e “vida pessoal”. Além disso, consoante à teoria “Mortificação do Eu”, do cientista social Erving Goffman, o sujeito, induzido por fatores coercitivos, anula seu pensamento individual em detrimento da coletividade. Portanto, percebe-se que, pela massificação da ideia capitalista de buscar o lucro e a produtividade a todo custo, a população que utiliza desse modo acaba transformando parte de seu tempo para si em trabalho, o que gera uma sobrecarga no empregado.

Depreende-se, dessa forma, a necessidade de intervir atenuando a problemática referente à exploração trabalhista na sociedade moderna. Para tanto, faz-se mister que o Poder Legislativo, estabeleça, por meio de Projetos de Emenda Constitucional (PECs), regulamentações mais rígidas para empresas de delivery e “home office” (levando em consideração os trabalhadores que não apresentam as devidas condições para manter essa forma de empregação, a exemplo, no primeiro setor, aqueles sem um meio de transporte próprio). Ademais, isso deve ser feito com o fito de garantir a perpetuação dos direitos e da classe proletária. Quiçá, será factível dissociar, completamente, o sentido (ainda) excruciante da palavra “trabalho”.