A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 10/07/2020

A escravidão no Brasil foi implantada no início do século XVI, no ano de 1535 e que teria fim 353 anos depois, em 13 de maio de 1888, com a Lei Áurea. Entretanto, a exploração trabalhista não se findou, sendo presente na sociedade até os dias atuais. No entanto, essa exploração, muitas vezes, não é percebida como tal. Além disso, é visível que a saúde mental do funcionário não é tida como prioridade, podendo chegar a situações extremas, como o suicídio.

Em primeiro plano, é interessante citar o filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, que retrata a situação dos operários na Revolução Industrial, na qual eles eram obrigados a uma forma de produção que tinha como único objetivo o lucro, independente das condições físicas e psicológicas dos trabalhadores. É inegável que tal filme faz um paralelo com a sociedade moderna, pois, apesar dos direitos trabalhistas serem mais eficazes, com jornada de trabalho definida, a exploração ainda está presente nas relações empregatícias. Esse aparece disfarçado em horas extras não pagas, na conexão incessante com o trabalho, no “quebra-galho” para o chefe, etc. Ademais, é evidente que existe uma hierarquia, na qual o maior prejudicado é o trabalhador.

Em segundo plano, vale ressaltar o descaso com a saúde psicológica do empregado. Em diversos caso é comum ver a negligência do patrão em relação aos empregados, não importando se estes possuem problemas pessoais, pois o que se leva em consideração é apenas o que produzem ou deixam de produzir. Nesse sentido, cada vez mais, aumentam os casos de depressão, que, quando não tratados, levam o indivíduo a desistir da própria vida. Além disso, deve-se problematizar o discurso da meritocracia utilizado por muitos empreendedores, o famoso “quem quer consegue”. Sendo assim, os problemas de saúde são recorrentes, dado que, muitas vezes, não há tempo para o que o indivíduo consiga suprir suas necessidades básicas, já que, como defendia Maquiavel, “os fins justificam os meios” e, muitas vezes, os meios para o sucesso fogem ao senso de coletividade.

Fica claro, portanto, que o cenário do trabalhador, desde sempre, é problemático. Para que haja melhora nas relações trabalhistas e pessoais, o governo deve intervir, garantindo e ampliando os direitos e benefícios dos trabalhadores, assim como deve fiscalizar o cumprimento desses direitos. Cabe aos órgãos públicos, assim como aos privados, o cuidado com a saúde física e mental do empregado, oferecendo acompanhamento médico e psicológico. É essencial, também, a reflexão por parte da sociedade e a cobrança pelos seus direitos.