A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 09/07/2020

A Síndrome de Burnout, enquadrada como doença pela OMS em 2019, é resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade, e tem como sintomas exaustão extrema, estresse e esgotamento físico. No entanto, os direitos trabalhistas, mais do que conquistas do proletariado, são a garantia de dignidade e bem estar da mão de obra. Portanto, não é razoável que a questão da exploração e do abuso sofrido por operários seja tratada com descaso. Com efeito, os Estados devem tomar atitudes para solucionar esse problema.

Em primeira análise, é importante ressaltar o filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, que retrata a situação dos operários durante a Revolução Industrial, na qual eles eram submetidos a uma forma de produção que objetivava o lucro, independente das condições físicas e psicológicas dos servidores. Essa obra é considerada atemporal, pois, apesar de direitos trabalhistas existirem, como jornada de trabalho definida e férias remuneradas, o fantasma da exploração persiste nas relações empregatícias - disfarçado em horas extras não pagas, na falsa relação familiar entre empregado e patrão. Ademais, é evidente que existe uma hierarquia, na qual o maior prejudicado é o elo mais fraco da relação – o trabalhador.

Impende ressaltar, ainda, o descaso com as doenças ocupacionais e com a saúde psicoemocional do empregado. Não importa as questões pessoais do indivíduo: o importante é que ele produza. Nesse sentido, cada vez mais, aumentam os casos de depressão, que, quando não tratados, podem até levar o indivíduo ao suicídio e até mesmo o surgimento de doenças como a Síndrome de Burnout. Além disso, deve-se salientar o discurso empreendedor que aconselha o assalariado a utilizar o máximo do seu tempo para produzir, alicerçado na ideia meritocrática - “quem quer consegue”. Sendo assim, as relações familiares são abaladas, surgem os problemas de saúde, pois, muitas vezes, não há tempo para comer e dormir, e os indivíduos perdem a empatia, já que, como defendia Maquiavel, “os fins justificam os meios” e, muitas vezes, os meios para o sucesso fogem ao senso de coletividade.

Diante dessa problemática, constata-se que o conturbado cotidiano de trabalho deve mudar. Para que haja melhora nas relações trabalhistas, o Superministério da Justiça deve intervir, garantindo e ampliando os direitos e benefícios dos trabalhadores, bem como deve fiscalizar o cumprimento desses direitos. Cabe aos órgãos públicos, assim como aos privados, a preocupação com a saúde física e mental do empregado, oferecendo acompanhamento médico e psicológico. É essencial, também, a reflexão por parte da sociedade e a cobrança pelos seus direitos.