A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 10/07/2020

Em 1988 ocorreu a abolição da escravatura, no entanto, no período entre 1996 e 2013 mais de cinquenta mil trabalhadores brasileiros foram libertados de situações análogas a escravidão. Tendo isso em vista, é ratificado que a escravidão não teve fim, mas que ela se desenvolveu ao longo dos anos para adaptar-se à atualidade. Sendo assim, a exploração trabalhista persiste na sociedade moderna, formando-se a partir das desigualdades sociais e do sistema capitalista vigente.

Em primeira análise, é necessário ressaltar que as pessoas dentro dessas situações precárias não estão nesse cenário por vontade própria. As vítimas desse sistema são as pessoas com baixa escolaridade, analfabetos e imigrantes em situação ilegal e, no geral, são indivíduos que desconhecem os direitos trabalhistas. Assim como é apresentado no filme Tempos Modernos, no qual o funcionário é submetido a uma jornada de trabalho exaustiva no contexto da Revolução Industrial, é a realidade de muitos. Dessarte, devido a estrutura de desigualdade no país, princialmente no âmbito da educação, as pessoas desconhecem os seus direitos e, consequentemente, são privadas deles.

Em segunda instância, assim como no pensamento Maquiavélico, no qual o fim justifica os meios, o capitalismo tem o lucro como prioridade e, muitas vezes, os meios para o sucesso fogem do senso de humanidade. Dessa maneira, mesmo existindo leis trabalhistas teoricamente eficazes, ainda há aberturas para a exploração, que ocorre desde a servidão por dívida até as longas jornadas. Nessa esfera não se importam com o trabalhador ou sua saúde — seja física ou mental —, afinal, o objetivo é produzir. A exemplo disso, em 2018, o Japão reconheceu dois suicídios por excesso de trabalho no país, e esse acontecimento expõe a gravidade do assunto tratado.

Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas para sanar esse impasse. Para que ocorra a melhoria das relações trabalhistas é preciso que o governo garanta e amplie os direitos e benefícios do trabalhador, assim como é indispensável a fiscalização efetiva para a execução destes. Isto posto, também é imprescindível que a população tenha consciência sobre os seus direitos, para que possa exigi-los. Por conseguinte, cabe ao Governo, juntamente com o Ministério do Trabalho e com o apoio da mídia, divulgar essa legislação por meio de propagandas na televisão e da distribuição de cartilhas  e panfletos informativas nas escolas e pelas ruas.