A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 10/07/2020
O filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, retrata a situação dos operários durante Revolução Industrial, na qual eles eram submetidos a uma forma de produção que tinha como único objetivo o lucro, independente das condições físicas e psicológicas dos trabalhadores. Essa obra, a cada dia que passa, se faz mais relevante e atemporal, expondo o problema tão atual na sociedade que é a exploração trabalhista. Neste contexto, são trazidos mais problemas à população, como danos à saúde e a intensificação da desigualdade social.
Cansaço, falta de senso coletivo, ansiedade, depressão. Assim é o estado emocional de grande parte dos trabalhadores, na sociedade contemporânea. Em um sistema em que o lucro é valorizado mais do que tudo, os indivíduos perdem a empatia, como defendia Maquiavel “os fins justificam os meios”, e muitas vezes esses meios fogem do senso de coletividade. O Japão, no ano de 2018, reconheceu dois novos suicídios por excesso de trabalho e esse é um de vários exemplos em que essa rotina obsessiva de trabalho afeta a saúde emocional das pessoas. É necessário que a devida atenção seja dada a esse problema, para que casos extremos como esse não se tornem “normais”. A falta de fiscalização em relação ao cumprimento os direitos humanos e trabalhistas é um grande problema também, pois muitas vezes em regiões agrícolas e têxtil são encontrados trabalhadores em situação precária, e muitos desses são imigrantes em situação ilegal e pessoas analfabetas/sem escolaridade.
A supervalorização do lucro é a raiz do problema, e perante a realidade da sociedade brasileira em que muitos tem menos oportunidades que outros, jovens periféricos e desempregados se submetem ao trabalho informal como forma de sobrevivência. A forma mais contemporânea de um trabalho análogo à escravidão, e que muitas vezes passa despercebida, são os trabalhos para aplicativos. Popularmente chamado de “Uberização”, esse fenômeno engloba todos aqueles que prestam serviços para aplicativos, com turnos de até mais de 24 horas, e isentos de qualquer direito trabalhista, segurança e estabilidade financeira. Deixar os trabalhadores em tal situação de incerteza e sem nenhum suporte é uma forma de manter tal situação de pobreza e desigualdade.
Com base nas informações apresentadas, para que haja melhora nas relações trabalhistas, é preciso a garantia da intervenção do Ministério do Trabalho, isto é, intensificar a fiscalização para com a violação dos direitos trabalhistas e humanos. Cabe ao Governo certificar-se que os órgãos particulares e públicos se encarreguem e responsabilizem-se do monitoramento da saúde dos funcionários, assim evitando danos tanto aos trabalhadores quanto as instituições.