A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 31/07/2020

No final do século XXVIII, a Inglaterra iniciou sua Revolução Industrial. Esse fato histórico fez surgir o capitalismo, modelo econômico que modificou completamente as relações de trabalho, promovendo o que o filósofo alemão Karl Marx chamou de Luta de Classes. Nesse contexto, no Brasil, quando reflete a respeito da exploração trabalhista na sociedade moderna, observa-se que, passados mais de 200 anos, essa prática ainda permanece na sociedade. Isso ocorre devido à ineficiência dos órgãos fiscalizadores e à grande mecanização dos meios de produção.

Em primeira análise, apesar do país ser o único no mundo a possuir uma Justiça do Trabalho, seara exclusiva para intermediar as relações trabalhista, o sistema de fiscalização dessas leis é falho. De acordo o estudo realizado pelo Ministério do Trabalho, o número de auditores é insuficiente para garantir que as legislações sejam cumpridas. Sob essa ótica, os empregados permanecem vulneráveis aos desmandos dos empregadores, além disso essa deficiência faz com que muitas pessoas se submetam às condições análogas às escravas para que possam manter seus empregos. Esse fato é comprovado pela pesquisa do Ministério Público do Trabalho, a qual informou que aumentou em mais de 20% o número de denúncias de exploração trabalhista nos últimos dez anos. Desse modo, investir em meios de que melhorem a fiscalização dos órgãos competentes é fundamental para impedir a exploração da sociedade proletária.

Em segunda análise, o grande desenvolvimento tecnológico de economia vem substituindo a mão de obra física pela intelectual, de maneira que essas mecanizações causam desequilíbrios nas relações de emprego, haja vista que devido a grande oferta de colaboradores os empregadores enxergam essas pessoas como peça de reposição.  Segundo o CAGED de 2019, esse desequilíbrio é observado, pois é crescente o número de desempregados sem qualificação no país, assim como a oferta de empregos no campo tecnológico. Logo, essa classe se submete às explorações das empresas para que não sejam trocadas como meras peças de reposição, como acontece cotidianamente em países como a China e Taiwan, conhecidos pelas piores condições de trabalho.

Portanto, é preciso que o Ministério do Trabalho e Emprego facilite os métodos para que os trabalhadores denunciem as explorações sofridas, por meio da criação de um canal direto com as Delegacias Regionais do Trabalho, disponibilizando um número universal e gratuito, como é o número 190 da Polícia Militar. Para que essas denúncias sejam apuradas e punidas o mais rápido possível, servindo de exemplo para as demais empresas infratoras. Somente assim, a exploração da classe trabalhadora ficará apenas nos livros de Filosofia de Karl Marx.