A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 31/07/2020

O Presidente Getúlio Vargas, em 1943, cria a Consolidação Das Leis do Trabalho, ao regulamentar as relações do trabalho, promete garantir uma realidade trabalhista justa e coerente no Brasil. Porém, essa ainda não é tangível no país, visto que inúmeras pessoas infelizmente têm sua força de trabalho explorada. Nesse contexto, torna-se urgente discutir os motivos que levam a submissão do indivíduo a trabalhos indignos, juntamente com as preocupantes empresas modernas que compactuam com esse cenário de exploração.

De início,é necessário entender o conceito de “Corpo Dócil” , do pensador Michel Foucalt, o qual relata que corpos são domestificados através de técnicas sutis de dominação. De maneira análoga à tal conceito, a exploração do trabalho no Brasil atual ainda se dá pela necessidade e luta pela sobrevivência. Logo, indivíduos em estado de desespero, que precisam pagar suas contas ou alimentar suas famílias, por falta de opção, se submetem a serviços com salários injustos e carga horária exaustiva. Esta condição ilegal de emprego provoca a desumanização do ser, que ao vender sua força de trabalho por valores incoerentes, também vende sua dignidade e sua individualidade, tornando-se um ser intrisicamente domestificado e perdendo seus direitos humanos.

Ademais, cabe analisar que, segundo a Revista Carta Capital, os aplicativos são, atualmente, os maiores causadores de exploração do trabalho no mundo. Tal dado mostra que a globalização e o avanço tecnológico ironicamente corroboram com o retrocesso social, ao destilar que grandes empresas digitais promovem o trabalho semiescravo. Este, é financiado cada vez mais por apps como Uber, Rappi e Amazon, que se aproveitam da crise financeira e dos altos níveis de desemprego do país para disponibizar trabalhos que exigem nenhuma especialização, porém são extremamente precários. Assim, grandes monopólios devoram direitos trabalhistas e perpetuam a desigualdade no país.

Diante os fatos supracitados, é notório que o país precisa direcionar mais atenção a questão da exploração do trabalho no cenário atual, para mitigar o problema. Urge, portanto, que o Ministério do Trabalho penalize empresas que participam do perfil de exploração do trabalho, promovendo multas e embargos para esses monopólios, com a finalidade de acabar com os altos índices de trabalho precário no país. Ademais, cabe a mesma instituição uma parceria com a Mídia para a divulgação de propagandas educativas que conscientizem a população sobre os perigos do trabalho semiescravo, pois muitas pessoas não tem noção da gravidade a qual está se submetendo, afim de libertar pessoas dessa adversidade moderna, que muitas vezes é tão sútil, e assim, finalmente efetivar a CLT no país.