A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 24/07/2020

A música “Trabalivre”, do grupo Tribalistas, retrata a história do trabalhador que tem toda a sua vida destinada à produção e até seus momentos de folga são utilizados para o aprimoramento laboral. No Brasil, essa é a realidade de milhões de pessoas que, por medo de serem demitidas ou de continuarem na miséria, anulam a própria identidade, aceitando qualquer forma de exploração no trabalho. Diante desse contexto, torna-se essencial a discussão acerca das precárias condições que tais servidores estão inseridos, bem como das inúmeras doenças ocupacionais, que esses podem adquirir.

É válido salientar, de início, que a principal característica da exploração do trabalho na sociedade contemporânea são as condições desumanas oferecidas aos funcionários. Embora a escravidão, no Brasil, tenha sido oficialmente abolida, em 1888, muitos trabalhadores ainda vivem em situações análogas à escravidão, com jornadas de trabalho exaustivas, salários abaixo do mínimo ou inexistentes, não pagamento de horas extras, entre outros fatores. Um exemplo dessa realidade é o processo de “uberização do trabalho”, o qual caracteriza-se pelo afrouxamento das relações empregatícias, o que oferece um caráter mais informal entre empregado e empregador. Esse contexto, realidade dos entregadores de aplicativos, por exemplo, embora seja uma opção de renda para muitas pessoas, também tem funcionado na precarização do trabalho, haja vista os diversos perigos no trânsito e o pouco retorno que esses servidores se submetem.

Consequentemente, essa problemática gera, no trabalhador, uma série de consequências negativas para a saúde, como é o caso de doenças ocupacionais. Problemas musculares ou nas articulações, transtornos de ansiedade e depressão são algumas sequelas que a exploração trabalhista pode acarretar no funcionário, o que diminui consideravelmente sua qualidade de vida e pode levá-lo até ao suicídio. Isso ocorre, pois inúmeros empregadores seguem a lógica maquiavélica de “os fins justificam os meios”, desumanizando o trabalhador para maximizar os lucros.

São necessárias, portanto, medidas que modifiquem essa realidade. Para isso, o Ministério do Trabalho promoverá uma maior rigidez com as fiscalizações, por meio de uma maior quantidade de “blitzs” anuais e aumento nas multas aplicadas, a fim de que a exploração trabalhista seja melhor combatida. Além disso, o mesmo órgão obrigará todas as empresas já notificadas a usarem uma espécie de selo para expor as corporadoras, a fim de que o consumidor saiba a origem do produto que consome e possa colaborar no fim a essa exploração, boicotando tais marcas. Assim, “Trabalivre” não será mais ironia e os trabalhadores realmente terão seus direitos garantidos.