A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 31/07/2020
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), realizada por Getúlio Vargas, permitiu, até os dias de hoje, a garantia dos direitos trabalhistas no Brasil. No entanto, mesmo com leis que protejam os trabalhadores, é uma realidade, na sociedade moderna, a ocorrência da exploração desses indivíduos.Diante disso, tem-se que a exploração trabalhista pode ser percebida nas novas formas de trabalho e a sua banalização é um fato no Brasil.
De início, é importante ressaltar que o abuso trabalhista é um fato existente em grande parte das novas configurações de trabalho na sociedade moderna. Isso ocorre porque tais formas laborais, por não serem formalizadas,não seguem a regulamentação determinada pela CLT. A ‘‘uberização’’ do trabalho é um exemplo dessas novas configurações,uma vez que motoristas de uber ou entregadores de aplicativos como o ‘‘ifood’’ e ‘‘rappi’’ ,por exemplo, não possuem vínculos com essas empresas nem direitos trabalhistas. A exploração nesses trabalhos mencionados é uma realidade, já que esses prestadores de serviço precisam trabalhar de forma predatória, sem assistência e segurança, para conseguir algum lucro. Nesse contexto, para não serem taxadas de exploradoras, as empresas camuflam essa realidade problemática com propagandas falando sobre a flexibilidade dos horários,como se o trabalhador tivesse a ‘’liberdade’’ de escolher qual horário trabalhar. Entretanto, na realidade,segundo entrevista com motorista de aplicativo publicada no site G1, ele precisa trabalhar praticamente dia e noite, a semana inteira para conseguir algum retorno financeiro. Desse modo,é evidente que há uma exploração nessas novas formas de trabalho na modernidade.
Além disso, a banalização do abuso trabalhista é um fato que contribui com a invisibilidade desse problema no Brasil. Isso acontece porque há uma normalização desse tipo de exploração a qual faz com que essa realidade deixe de ser vista socialmente como um problema e, por isso, não haja intervenções diretas para combatê-la. Tal fato, pode ser associado a teoria da banalização do mal, da filósofa Hannah Arendt, já que ela retrata justamente essa normalidade com que é tratada problemas sociais. Nesse sentido, é necessário que a sociedade seja conscientizada sobre a existência de exploração trabalhista como um problema da atualidade, para que essa realidade deixe se ser tida como algo normal e, assim, os direitos trabalhistas sejam efetivados na prática.
Observa-se, portanto, que há exploração trabalhista no Brasil. Por isso, é preciso que o Ministério do Trabalho, além de conscientizar a população, exija condições dignas em todas as formas de trabalho. Isso deve ser feito por meio da obrigatoriedade de empresas concederem direitos trabalhistas e que haja uma fiscalização, a fim de diminuir tal exploração laboral no Brasil.