A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 30/07/2020

No Brasil, até o fim do século XIX, o principal grupo que tinha seu labor explorado era o dos escravos. Após a criação da Lei Áurea, em 1888, somaram-se a eles os imigrantes europeus, os quais também se tornaram vítimas dessa injustiça. Tal configuração foi alterada em 1942, com a conquista da CLT, que parecia garantir condições básicas para todos os empregados. Entretanto, infelizmente, devido à desigualdade social, essa exploração trabalhista ainda está presente na sociedade moderna, principalmente por meio da uberização.

Em primeira análise, nota-se a importância da desigualdade social para a exploração laboral. Por esse ângulo, com base no pensamento do sociólogo Karl Marx, compreende-se a necessidade de um “exército de reserva”, ou seja, um grande número de desempregados, para que empresários possam exigir demais de seus funcionários. Nesse cenário, caso alguém se recuse a aceitar condições degradantes, não há prejuízo para a empresa (visto que existem tantos outros para ocupar a vaga), mas sim para quem pediu demissão, pois, muitas vezes esse cidadão não tem acesso aos direitos mais básicos, como o de se alimentar, garantido pela Constituição de 1988.

Em segunda análise, considera-se a principal forma de abuso dos trabalhadores na sociedade moderna: a uberização. Esse fenômeno se caracteriza por aplicativos de transporte privado, como o “Uber”, e de entrega de alimentos, como o “Ifood”, os quais usam brechas na legislação para explorar seus funcionários, que enfrentam jornadas de trabalho extensas e recebem uma pequena parte do lucro. Tal fato pode ser observado nos dados da Associação Aliança Bike: 75% dos entregadores que andam de bicicleta ficam conectados no aplicativo por até doze horas seguidas, todos os dias da semana, ganhando, em troca, menos de uma salário mínimo por mês. Assim, sem ter outra opção, podendo ser facilmente trocado por alguém do “exército de reserva”, resta ao cidadão de baixa renda se submeter a condições degradantes como essas.

Portanto, tendo em vista a exploração trabalhista na sociedade moderna, com o objetivo de diminuí-la, é preciso que o governo reduza a desigualdade social, investindo mais em projetos como o “Bolsa Família”. Além disso, visando ao mesmo fim, é necessário que o governo também regulamente os aplicativos que contribuem para a uberização, assegurando assim os direitos de seus funcionários. Tal regulamentação deve ocorrer por meio de uma emenda constitucional amplamente discutida no congresso, com a participação de entregadores e motoristas. Dessa forma, mais trabalhadores terão condições básicas garantidas.