A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 31/07/2020
De acordo com o escritor Caio Prado Júnior, em seu livro “Formação do Brasil contemporâneo” , os problemas atuais do país são um reflexo do período colonial. Nessa lógica, devido à escravidão, a classe dominante se acostumou a ter mão de obra abundante sem precisar pagar por ela. Desse modo, apesar da proibição do trabalho compulsório, a remuneração dos trabalhadores brasileiros permanece precária, contrastando com as crescentes exigências do mercado profissional. Nesse sentido, cabe pontuar a busca incessante pela otimização do lucros e a falta de conhecimento crítico dos indivíduos como precursores da exploração trabalhista na sociedade moderna.
É importante, de início, ressaltar que as imposições do sistema capitalista que visam a exacerbação dos ganhos financeiros, em detrimento da saúde e dos limites psicológicos dos trabalhadores, provocam um grande problema socioeconômico na contemporaneidade. Nessa perspectiva, segundo os filósofos Adorno e Horkheimer da Escola de Frankfurt, a cultura tornou-se um instrumento voltado para obtenção de lucros. Dessa forma, as empresas contemporâneas, na maioria dos casos, buscam extrair o máximo das forças física e intelectual de seus funcionários, pagando o mínimo possível para isso, fato que além de atingir as pessoas da classe proletária economicamente, pode afetar, também, suas relações pessoais e seu estado físico.
Além disso, é válido enfatizar que a ausência de criticidade facilita a exploração do trabalhador pela classe dominante. Nessa lógica, em concordância com o sociólogo Florestan Fernandes, um povo educado não aceitaria as condições de miséria e desemprego a que são submetidos. Desse modo, o reconhecimento da realidade e de seus direitos impediria, por exemplo, a ocorrência do aproveitamento abusivo da força de trabalho de milhares de pessoas, pelos aplicativos digitais de transporte particular e entregas. Nesse sentido, tais empresas prestadoras de serviços eletrônicos, como a Uber, atraem ‘‘funcionários parceiros’’ vendendo uma carga horária flexível, todavia, o que acontece de fato, conforme defendeu Karl Marx, é uma exploração do homem pelo próprio homem, visto que segundo o site Diário do Nordeste, motoristas chegam a rodar 15 horas por dia em busca de um retorno financeiro melhor.
Portanto, é evidente que a exploração do trabalhador, na sociedade moderna, é um problema que deve ser solucionado. Para isso, urge que os centros educacionais promovam o desenvolvimento crítico dos indivíduos, sobretudo, com relação às questões trabalhistas. Tal ação deve ocorrer por meio de debates presenciais ou virtuais periódicos, com a presença de professores, sociólogos, profissionais capacitados para orientar pais e alunos a desenvolverem relações saudáveis de trabalho, elucidando seus direitos e deveres, a fim de extinguir o aproveitamento abusivo dos trabalhadores no Brasil.