A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 30/07/2020

Segundo o mito de Sísifo, um homem foi condenado pelos deuses a subir uma montanha levando uma pedra grande e soltá-la ao chegar no topo. Assim, ele deveria descer o monte e repetir essa tarefa por toda a eternidade. Desse modo, percebe-se que Sísifo está imerso em um processo automático, no qual não tem tempo para pensar sobre a condição alienante que vive. Fora do tablado mitológico, observa-se que as circunstâncias exploratórias e degradantes vivenciadas por muitos trabalhadores podem ser comparadas à conjuntura do personagem do mito. Isso porque muitos indivíduos ainda têm, por exemplo, jornadas extenuantes de trabalho devido ao capitalismo alienador da modernidade.

A princípio, segundo o filósofo Karl Marx, em sua teoria da Mais-valia, o sistema capitalista aliena o trabalhador em relação à remuneração condizente com o trabalho realizado, ou seja, há uma diferença entre o salário pago e o valor produzido pelo labutador. A partir disso, percebe-se, por exemplo, que muitos funcionários brasileiros são desviados da função para qual foram contratados. Isso ocorre porque, muitas vezes, a empresa não têm uma quantidade suficiente de trabalhadores para realizar certa função. Assim, os empregados de outras áreas assumem, além do seu cargo, o posto não correspondente ao seus deveres. Além disso, tais colaboradores não são remunerados justamente pelos serviços prestados a mais. Esse exagero de tarefas e responsabilidades gera estresse e cansaço excessivo ao trabalhador, prejudicando seu rendimento e concentração no ofício, infelizmente.

Outrossim, de acordo com o filósofo Foucault, existem poderes na sociedade que disciplinam os seres, direcionando os seus comportamentos e tornando-os corpos dóceis para serem “aprimorados”, ou seja, com pouca capacidade crítica. Conforme essa ideia, compreende-se que muitos trabalhadores estão subordinados ao capitalismo manipulador e às suas decisões. Pois, por exemplo, algumas pessoas se sujeitam a horas extras na jornada de trabalho, ainda que não sejam devidamente remuneradas, a fim de assegurarem o seu posto de trabalho na empresa. A partir disso, observa-se que o lucro é o principal objetivo do sistema capitalista e seus gestores, mesmo que submetam os funcionários a situações degradantes e exploratórias, violando os seus direitos.

Portanto, para que os trabalhadores sejam submetidos a menos condições exploratórias no seu ofício, é necessário que as Secretarias de Trabalho, por serem as principais responsáveis pelas questões trabalhistas, garantam o cumprimento dos direitos dos labutadores. Isso deve ser feito por meio do projeto denominado “Combate à exploração no trabalho”, no qual as empresas devem ser fiscalizadas mensalmente, a fim de entrevistarem muitos funcionários e saberem as condições em que realmente estão trabalhando. Assim, o número Sísifos poderá vir a diminuir no Brasil.