A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 30/07/2020

No livro “A Ética Protestante e o Espírito Capitalista”, o sociólogo Max Weber explica as mudanças culturais que a sociedade teve diante da ideia de trabalho e como as doutrinas as influenciam. Na obra, entende-se bem como as sociedades capitalistas usavam de exploração trabalhista. Atualmente, depois de muita luta, existem diversas leis trabalhistas que asseguram qualidade de vida aos trabalhadores, porém a exploração do trabalhador ainda é algo presente na sociedade moderna e tem como principais fatores: a “uberização” do trabalho e a desigualdade de oportunidades.

Primeiramente, com a Quarta Revolução Industrial, baseada no avanço tecnológico tanto no mundo físico quanto no “cyberspace”, as conexões humanas mudaram muito e as relações desses com o trabalho também tiveram seus impactos. Com isso, surgem novos mecanismos de trabalhos que apesar de permitidos têm características inconstitucionais; a exemplo de aplicativos (APPs) prestadores de serviços eletrônicos, como a Uber e iFood. Prova disso, segundo o jornal El País Brasil, mais da metade dos jovens - que têm um desses APPs como fonte de renda - trabalham todos os dias por semana e também a maioria desses recebem menos que um salário mínimo por mês. Ou seja, de fato esse tipo aplicativo ajuda a “maquiar” o alto índice de desemprego no país, por isso é permitido, mas e o faz de formas inconstitucionais, fora das leis trabalhistas, esse é o processo de “uberização”.

Outrossim, importante destacar que brasileiros que procuram esse tipo de serviço estão desempregados e/ou precisando de renda. Nessa lógica, jovens que não tenham tido acesso a educação de qualidade e venham de famílias pobres são obrigados a buscar fugas para conseguirem dinheiro, muitos dos APPs prestadores de serviços eletrônicos são a solução para milhões de jovens brasileiros que poderiam ter qualquer emprego formal com o mínimo de educação que o Estado deveria promover, mas nada é feito e situação fica maquiada e estacionária. Como prova da exploração dos jovens trabalhadores brasileiros, de acordo com o jornal Estadão, 75% desses prestadores de serviço têm entre 18 e 27 anos, reflexo da desigualdade de oportunidades no país.

Em suma, para resolver a exploração trabalhista na sociedade moderna, o Ministério do Trabalho precisa regulamentar as políticas das empresas que gerenciam esses APPs no país, colocar horas limites de trabalho diário e obrigar a empresa a completar a renda adquirida tornando um salário mínimo, dessa forma o trabalhador informal passaria a ser funcionário formal protegido por leis. Além disso, o Ministério da Educação precisa assegurar que a população tenha acessoa educação de qualidade, por meio de investimentos maiores na área pública de ensino, a favorecer as gerações jovens do país com maior oportunidades de emprego e diminuir o número de trabalhadores explorados.