A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 29/07/2020

Atualmente, empresas como iFood e Uber - que oferecem serviços de delivery - vêm gerando oportu- nidades de independência financeira a muitos cidadãos desempregados. Em contrapartida, a realidade desses novos trabalhadores gira em torno de jornadas exaustivas - e até perigosas. Essa dinâmica está relacionada à ausência de conhecimento, por grande parte da sociedade, a respeito de direitos traba- lhistas e à submissão das pessoas devido à necessidade de sobreviver.

Primeiramente, em 1943, Getúlio Vargas, ex-presidente da República, assinou a CLT - Consolidação das Leis do Trabalho -, a qual regulamenta, até os dias atuais - com alterações -, os direitos e deveres dos trabalhadores brasileiros. Apesar de ser o documento principal, grande parcela de cidadãos desconhecem as leis que regem seus vínculos empregatícios. Sendo assim, os detentores do poder, e do conhecimento avançado, criam as suas próprias regras, ou deturpam as oficiais, e impõem condições exploratórias aos seus funcionários - que, pela ignorância, não reconhecem os abusos que sofrem. Diante disso, jornadas de trabalho desumanas, abuso psicológico por parte dos patrões e peri-gos impostos à saúde do servidor se tornam comuns.

Ademais, Carolina Maria de Jesus - escritora brasileira - aponta, em seus diários, a dura realidade do indivíduo excluído pela sociedade, que conhece a fome diariamente e, por isso, luta, como pode, para sobreviver. Nessa perspectiva, milhares de brasileiros se propõem a prestar qualquer serviço, pelo tem- po que for, aos empregadores - sejam eles de micro ou grandes empresas -, para conseguirem susten-tar suas necessidades básicas e as de suas famílias. Dentro dessa realidade, muitos dos indivíduos que estão aguardando uma vaga de emprego - enquanto conquistam alguma renda por meio de “bicos” - aceitam qualquer proposta que lhes for dada, mesmo que isso represente a diminuição do seu lazer - o qual já é raro - e risco à sua saúde; afinal, a sobrevivência é mais importante.

Portanto, são necessárias medidas que diminuam drasticamente, e evitem, a exploração dos traba-lhadores. Para isso, o Ministério do Trabalho deve criar uma campanha de conscientização a respeito da CLT, sendo realizada por meio de palestras, organizadas dentro das empresas, destinadas aos fun-cionários e ministradas pelos setores de Recursos Humanos das mesmas. Além disso, é importante que o MT crie programas de qualificação profissional, destinados, exclusivamente, à população carente; no intuito de formar cidadãos prontos para alcançar melhores cargos corporativos. Dessa forma, a so-ciedade estará mais protegida contra abusos trabalhistas.