A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 16/08/2020
Na década de 1940, durante o governo de Getúlio Vargas, foi aprovada a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), responsável por determinar e garantir necessidades básicas dos trabalhadores. Contudo, hodiernamente, a discussão a respeito dos direitos trabalhistas voltou a ser destaque no Brasil e no mundo, seja devido a uma monopolização do tempo pelo trabalho, seja devido à valorização máxima do lucro em detrimento das condições do trabalhador. Logo, é imprescindível discutir a exploração trabalhista na sociedade moderna.
Sobre essa temática, no livro “Quarto de despejo”, a autora constata: “O pobre não repousa”. Sob tal óptica, a obra demonstra habilmente a monopolização do tempo pelo trabalho na conjuntura contemporânea, em que as classes mais marginalizadas trabalham exaustivamente a fim de assegurar as mínimas condições de vida. Sob uma outra perspectiva, a parcela mais privilegiada do corpo social também não escapa desse cenário, uma vez que as constantes inovações tecnológicas geram uma competitividade que obriga esse grupo a utilizar qualquer tempo livre em uma procura infinita por especializações. Assim, é notório que, na sociedade moderna, a exploração trabalhista configura-se também na existência do indivíduo limitada por seu trabalho.
Além disso, Racionais Mc’s cantam: “Ser escravo do dinheiro é isso, fulano/ Trezentos e sessenta dias por ano sem plano”. Nessa perspectiva, a música retrata perfeitamente o quadro de exploração trabalhista cada vez mais presente no mundo, com 37,7 milhões de pessoas em trabalhos informais somente no Brasil, de acordo com dados do Sistema de Informação em Saúde (SIS). Dessa forma, semelhante à narrativa de “O cortiço” em que João Romão, em busca de seu crescimento econômico, explora ao máximo aqueles a sua volta, o sistema capitalista com sua demanda infinita por lucro desconsidera direitos sociais básicos – como questão salarial, jornada de trabalho e condição de segurança – resultando em um ambiente de rigorosas cobranças e intensa produtividade que oprime o trabalhador.
Em suma, fica evidente a necessidade de alterar esse cenário no mundo. Assim sendo, é necessário que o governo interfira, garantindo e ampliando os direitos e benefícios dos trabalhadores, assim como deve fiscalizar o cumprimento desses direitos. Ademais, cabe aos órgãos públicos, tal como os privados, o cuidado com a saúde física e mental do empregado, com o intuito de construir uma relação mais saudável com o trabalho e, dessa forma, evitar que esse seja um elemento de limitação ou opressão na vida dos indivíduos. Destarte, o legado de conquistas de direitos trabalhistas iniciado no governo Vargas se perpetuará.