A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 11/08/2020
Durante o período do Estado Novo, os trabalhadores, através de muita luta, conquistaram a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), assegurando-lhes vários direitos. Todavia, a sociedade atual está em constante transformação, consequentemente o trabalho também modificou, trazendo consigo um problema, a exploração. Portanto, a introdução de novas tecnologias e a flexibilização das leis trabalhistas corroboram para essa problemática que precisa ser mitigada.
A priori, o advento da Terceira e a emergência da Quarta Revolução Industrial inseriu novas tecnologias, ocasionando alterações nas relações de trabalho. Nesse sentido, surge a uberização, uma maneira diferente de gerenciamento, controle e organização do labor, prevendo um estilo mais informal, flexível e por demanda. Assim, os indivíduos praticantes desse novo trabalho são classificados como lumpemproletariados, termo criado pelo sociólogo Karl Marx, que designa o proletariado, a classe definida pela falta de recursos econômicos, por não possuir trabalhos formais, e pela falta de consciência de classe.
Outrossim, na obra “Condição Pós-Moderna, David Havery apresenta a acumulação flexível, caracterizada pelo surgimento de setores de produção inteiramente novos, apoiando-se na flexibilidade dos processos de trabalho. Nesse viés, por exemplo, no “home office”, as pessoas perdem a autonomia do descanso, das horas trabalhadas, aumentam um grau de excessivas produções e causam o hiperstress. Portando, há uma precarização do indivíduo, tornando-se em um precariado, que segundo o sociólogo Ruy Braga, está intrínseco ao processo de mercantilização do trabalho, integrando a classe trabalhadora.
Em suma, a exploração trabalhista necessita de intervenções. Dessa maneira, é mister que o Ministério da Economia, por meio de diretrizes, modernize as relações de trabalho, colocando limites que o indivíduo poderá permanecer conectado a empresa/aplicativo, mesmo por demanda, e garanta as férias e o décimo terceiro, para que as pessoas não sejam vítimas desse abuso. Ademais, é necessário que a sociedade, por intermédio das leis, pressione o Poder Judiciário, observando se os direitos estão sendo garantidos, conscientizando-se e indo à luta para as demais conquistas necessárias. Logo, será possível reverter a exploração trabalhista e conquistar novos direitos como ocorrido na CLT.