A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 08/08/2020

Tempos Modernos, clássico do cinema, protagonizado por Charlie Chaplin, é um retrato da sociedade americana após a Crise de 1929, que expõe as precárias condições de trabalho nas fábricas. Embora inserido no contexto da década de 30, o longa denuncia uma problemática ainda indissociável da realidade brasileira, a exploração trabalhista. Nesse viés, é lícito inferir que a negligência governamental e a passividade midiática – oriunda de uma mentalidade massivamente individualista de parte do empresariado – são agentes perpetuadores do danoso panorama.

A priori, cabe salientar como o descaso estatal contribui para a manutenção do problema. Para tanto, é pertinente trazer à pauta o pensamento do escritor Gilberto Dimenstein, o qual cunhou o termo “Cidadão de Papel”, um indivíduo que tem seus direitos amparados somente na legislação. Nessa perspectiva, a escassez de políticas públicas adequadas ao cenário atual, que preconizem o combate às formas de exploração - tais como uma jornada de trabalho que ultrapassa o número de horas previstas por lei - em empregos formais e informais, impede a efetivação da cidadania do contingente de trabalhadores brasileiros.

Outrossim, é válido ressaltar o papel da influência da mídia no agravamento da complexa questão. Consoante o filósofo inglês Nick Couldry, as sociedades modernas suprimem grupos menos favorecidos por meio do seu silenciamento nos veículos comunicativos. Analogamente, tal postura é evidenciada no Brasil pela ausência de peças publicitárias com dados acerca da exploração no ambiente de trabalho - muitas vezes, motivada pela priorização de interesses econômicos empresariais em detrimento do bem-estar coletivo. Por conseguinte, a população se torna alheia às dimensões do nocivo quadro, de modo a dificultar sua resolução.

Portanto, urge o Governo Federal, em parceria com o Ministério das Comunicações, crie o projeto “Trabalho Justo”, o qual deverá viabilizar a divulgação de informações sobre a exploração trabalhista e facilitar a denúncia de casos. Dessa maneira, tal proposta deve ser efetivada por intermédio de propagandas, vídeos informativos e infográficos com estatísticas, os quais devem ser veiculados nos principais meios de comunicação, em especial nas redes sociais, em virtude de seu vasto alcance. Além disso, a campanha deve ter um aplicativo, o qual atuará como um canal de denúncias, a fim de agilizar a atenuação da existência de condições deficitárias de trabalho. Feito isso, o brasileiro poderá, enfim, deixar de ser um “Cidadão de Papel”.