A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 12/08/2020
Em 1943, a Consolidação das Leis Trabalhistas foi criada por Getúlio Vargas para proteger o trabalhador e assegurar-lhe seus direitos. Porém, a exploração do trabalho persiste na sociedade moderna, visto que são frequentes jornadas exaustivas e salários degradantes. Nesse contexto, entende-se que a busca incessante pelo lucro, bem como o silenciamento das estruturas de poder apresentam-se como entraves do problema.
Em primeiro plano, é necessário entender que a busca pelo lucro reforça as relações humilhantes da sociedade contemporânea. Segundo o sociólogo Max Weber, tal fato pode ser explicado pelo nascimento da ética protestante, que em meados do século XVIII viu no lucro sinal de salvação divina, fortificando o modelo capitalista. Dessa maneira, os proprietários de empresas buscam alcançar uma alta lucratividade, mesmo que para isso seja necessário sacrificar o bem-estar de seus funcionários. Consequentemente, forçam os proletários a trabalhar horas excessivas em um emprego altamente precarizado, além de receberem um valor injusto, e que não se associa ao esforço realizado.
Ademais, o silenciamento do tema faz com que as estruturas dominantes permaneçam. Conforme o filósofo Michel Foucault, em sua obra “Teoria do Poder”, na sociedade pós moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Sendo assim, a exploração trabalhista atual, fruto de 400 anos de escravidão, faz com que a condição humilhante dos trabalhadores seja relativizada e banalizada. Por conseguinte, dificilmente aqueles que são explorados conseguirão ascender na hierarquia social e econômica, fortificando assim, a desigualdade brasileira.
Portanto, é dever do Ministério do Trabalho - órgão responsável pela geração de emprego e renda e de apoio ao trabalhador - fiscalizar os modos de produção nas mais diversas empresas, por meio da criação de um disque-denúncia e de uma apuração em grau superior das queixas feitas, tal ação tem a finalidade de amenizar os casos de aproveitamento abusivo sofrido por alguns funcionários. Somente assim, as Leis Trabalhistas serão plenamente efetivadas.