A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 14/08/2020

O filme “Tempos Modernos” retrata o modo automático e alienado de produção em uma sociedade capitalista, na qual o lucro das empresas se sobrepõe à saúde física e psíquica do empregado. Analogamente, na sociedade moderna, nota-se um grande descaso com as condições trabalhistas, o que instaura o cenário perfeito para exploração. Se na longa americana Charles Chaplin era obrigado a repetir movimentos circulares, hoje em dia o trabalhador necessita refazer inúmeras vezes suas tarefas para obter seu salário e garantir sua sobrevivência nesse sistema opressor. Sendo assim, é preciso julgar o aproveitamento econômico por trás do abuso de poder e a questão emocional do trabalhador.

Em uma primeira análise, a relação de poder entre chefes e seus subordinados faz parte de uma rígida estrutura histórica, a qual busca uma alta lucratividade a partir de mão de obra barata. Nesse contexto, o empregado fica sujeito a extensas cargas horárias, recebendo em troca um valor relativamente pequeno se comparado ao lucro recebido pela corporação na qual trabalha. Essa lógica é conhecida como mais-valia, ou seja, o esforço do trabalhador não é convertido em valores monetários reais, o que precariza seu trabalho. Dessa forma, a diferença entre o salário pago e o serviço prestado se caracteriza como a forma mais selvagem de exploração capitalista na modernidade.

Vale ainda ressaltar, ademais, que o ambiente opressor e competitivo das relações trabalhistas facilitam o adoecimento mental, na qual doenças como ansiedade, depressão e Burnout são comuns. A crescente crise econômica ao redor do mundo, faz com que os indivíduos se preocupem com sua estabilidade profissional e para manterem seus empregos se submetem a situações extremas, em que o descanso é deixado de lado em prol do rendimento próximo à excelência. O psicanalista frânces Dejours, afirma que a tensão do mercado de trabalho está ligado à exigência por produtividade, o que leva a casos de estresse excessivo e ansiedade. Nessa caótica conjuntura, averigua-se uma forma de exploração que não atinge apenas a questão financeira, mas sim afeta intrinsecamente o indivíduo, o qual sente-se humilhado e sem valor após horas de serviço prestado a seu empregador.

Torna-se evidente, portanto, que a exploração trabalhista na modernidade perpassa questões financeiras e atinge diretamente o empregado, seja pela desvalorização de seu trabalho ou pelo esgotamento mental. Para reverter esse quadro, é preciso que os Governos locais façam, em parceria com seus Órgãos responsáveis por questões trabalhistas, a implementação da fiscalização das condições de  trabalho e a tentativa da redução da mais-valia, por meio da criação de uma cota mínima de diferença entre o valor pago e o produzido pelo empregado. Dessa maneira, espera-se que a repetição padronizada fique apenas no plano ficcional e o indivíduo possa se sustentar saudavelmente.