A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 23/08/2020
No filme “Tempos Modernos” de Charles Chaplin, é retratado a realidade enfrentada pelos operários perante à Revolução Industrial, no qual eram submetidos a uma forma de produção exaustiva pautada no sistema fordista de Henry Ford, onde a única preocupação visada era o lucro. Indubitavelmente, essa obra é considerada atemporal, pois, apesar de se obter a Consolidação dos Leis Trabalhistas (CLT) em 1943, a exploração do trabalho na sociedade moderna permanece disfarçada, passando de forma despercebida. Outrossim, é notório que a saúde mental do trabalhador não é vista como prioridade. Em suma, é necessário que subterfúgios sejam encontrados a fim de combater essa inercial problemática.
Em primeira análise, é importante destacar a “cultura da hora extra”, vivenciada por muitos brasileiros na busca de aumentar a renda no final do mês para suprimento das necessidades. Por conseguinte, o estresse submetido em longas jornadas de trabalho conduz diretamente ao desenvolvimento de patologias psicossomáticas ou induzindo até mesmo ao suicídio. Similarmente, no Japão essa realidade reflete em mortes pelo excesso de horas de trabalhadas. De acordo com a BBC News, cerca de duas mil mortes anuais no país são registradas por esse motivo. Dessa forma, a exaustão evidenciada no século 20, durante a Revolução Industrial , é retomada na atualidade trazendo uma série de impactos negativos.
Faz-se mister ainda, salientar o desemprego como impulsionador da exploração trabalhista. Conforme uma frase atribuída ao filósofo Nicolau Maquiavel, durante interpretações de sua obra “O príncipe”, os fins podem ser justificados pelos meios. Neste caso, a exploração pode ser justificada pela necessidade de se obter renda levando o sujeito aceitar trabalhos informais sem ter acesso aos direito trabalhistas já garantidos constitucionalmente. Como é o caso dos ciclistas de aplicativo que por muitas vezes trabalham por mais de 12 horas diárias sem carteira assinada, sendo privado da execução dos direitos.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para a solidificação de políticas que visem a extinção da exploração no ambiente de trabalho. Portanto, cabe a Secretaria do Trabalho e ao Ministério da Justiça que intensifique a fiscalização das empresas em relação a longas jornadas de trabalho, regularizar os serviços trabalhadores em aplicativo e fornecer incentivo fiscal para auxílio de saúde dos trabalhadores. Com tais implementações citadas, espera-se promover uma melhora nas condições de trabalho oferecidas fazendo se cumprir os direitos do trabalhador já garantidos pela CLT, deixando de lado a situação de trabalho análoga a escravidão moderna.