A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 17/08/2020
A Consolidação das Leis Trabalhistas no Brasil, decretada no governo de Getúlio Vargas, garantia os direitos dos trabalhadores, visando sua proteção, e a regulamentação das relações de trabalho. No entanto, apesar de ter sido muito eficaz, é inegável a enorme exploração trabalhista presente na sociedade moderna se observada a situação a que os servidores são subordinados, podendo serem considerados “escravos modernos” e até mesmo desenvolverem inúmeros problemas mentais pela pressão sofrida. Sendo assim, é imperante um olhar crítico sobre esse cenário de exploração, decorrente do desenvolvimento do sistema capitalista neoliberal, a fim de propor medidas para solucioná-lo.
Primeiramente, vale destacar o conceito de Karl Marx em relação ao trabalho sobre a “mais-valia”, que visa a lucratividade da burguesia em função da exploração do proletariado. Nesse sentido, se analisado o contexto de desemprego que assola o mundo, é visível o aproveitamento do empregador, que busca por lucro, sobre o servidor vulnerável economicamente, que busca por trabalho. Segundo a Organização Mundial do Trabalho, no início dessa década existiam aproximadamente 250 milhões de desempregados no mundo. Desse modo, pode-se observar que o desespero por um emprego leva muitos trabalhadores a aceitarem qualquer coisa, até mesmo condições subumanas e trabalho escravo, como a vida dos ciclistas de aplicativo em São Paulo, com uma jornada maior que 24 horas e um salário menor que o mínimo.
Ademais, também é importante falar sobre a pressão da meritocracia sobre os operários apoiada num discurso de “quem se esforçar consegue”. Assim, o esforço exaustivo para alcançar metas individuais estimula o indivíduo a fazer sempre mais do que é capaz, baseando-se numa eterna comparação com os outros, sendo a posição em que se encontra sempre insuficiente. Consequentemente, a exigência de uma demanda muito grande de trabalho consoante ao sentimento de incapacidade acarretam no agravamento dos distúrbios psicológicos que atrapalham a produtividade e eficiência do ofício. Isso pode ser observado, segundo a Organização Mundial da Saúde, no aumento da Síndrome de Burnout, que surge pelo esgotamento profissional, tensão emocional e estresse por conta do trabalho excessivo.
À luz desses fatos, é evidente os problemas causados pela exploração laboral na sociedade contemporânea e, portanto, é necessário criar maneiras de resolver essa problemática. Para isso, o Ministério do Trabalho deve intervir nas relações empregatícias, fiscalizando os direitos trabalhistas garantidos na CLT, impondo multa aos empregadores que não os cumprirem. O Ministério da Saúde, por sua vez, deve se aliar às empresas e implantar-lhes psicólogos para se preocuparem com a saúde mental dos empregados, oferecendo acompanhamento médico. Dessarte, espera-se o fim da escravidão trabalhista e uma sociedade mais saudável e capacitada mentalmente.