A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 21/08/2020

A exploração trabalhista na sociedade moderna é um reflexo das transformações sociais advindas da Revolução Industrial. Karl Marx formulou as ideias da lógica do capitalismo, que segundo ele, se assegura na exploração e dominação da burguesia sobre a classe operária. Desse modo, as condições desumanas vividas pelos trabalhadores movimentaram as lutas em busca dos seus direitos, e por meio disso, foram conquistadas as Leis Trabalhistas que assegurariam a dignidade dos mesmos. Apesar disso, no cenário contemporâneo, viando receber maior lucro, o trabalhador continua sendo abusado e exposto a condições desumanas, o que ainda é comum devido aos obstáculos na fiscalização da aplicabilidade dessas leis.

O filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, retrata a situação dos operários perante à Revolução Industrial, em que os mesmos eram sujeitos a uma forma de produção que tinha como único objetivo o lucro, independente das condições físicas e psicológicas dos trabalhadores. É inegável que essa obra seja considerada acrônica, pois, mesmo que, atualmente, os direitos trabalhistas sejam mais eficazes, com férias remuneradas, jornada de trabalho definida entre outros, o fantasma da exploração ainda está presente nas relações empregatícias. Esse aparece disfarçado na falsa relação familiar entre empregada doméstica e patrão, em horas extras não pagas e entre outros exemplos de exploração.

Consoante a isso, segundo o sociólogo Sérgio Buarque, a desumanização do trabalhador é proveniente da priorização do acúmulo de capital acima da qualidade de vida dos operários, transformando-os em meros números. Em vista disso, para obtenção de maiores lucros os trabalhadores são expostos às cobranças severas, intensa produtividade em um curto tempo, descontrole sobre o ritmo de trabalho, ambientes competitivos, e outras formas de assédio moral. Esse tipo de ambiente, além de afetar a produtividade do empregado, causa graves consequências à saúde, como a ansiedade, doenças cardiovasculares e depressão.

Em virtude dos fatos mencionados, tona-se imprescindível a intervenção dos poderes Jurídico, Legislativo e Executivo, juntamente com o governo, fortalecendo os órgãos fiscalizadores, aprimorando leis já existentes, de forma a elaborar e aplicar punições mais rigorosas aos praticantes de atividades escravistas e abuso moral, além da ação do ministério da saúde, ofertando tratamento psicológico a pessoas que passaram por situações traumáticas. É essencial, também, a reflexão por parte da sociedade e a cobrança pelos seus direitos.