A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 17/08/2020
O artista realista Adolph Menzel produziu, em 1865, o quadro “O Ciclope Moderno”, no qual ele faz um paralelo entre o ciclope, criatura mitológica condenada a viver acorrentada às fornalhas forjando os raios de Zeus, e o proletariado, que trabalhava em condições precárias durante a Segunda Revolução Industrial. Sob tal ótica, é possível fazer um paralelo da arte com a realidade atual, em que o excesso de trabalho ocasiona diversas doenças e a falta de regulamentação faz com que o empregador perca responsabilidades para com o funcionário. Assim, o empregado se mantém acorrentado a péssimas condições de trabalho por causa da necessidade de se receber o salário, mesmo que seja pouco.
A priori, o desgaste emocional ocorrido pelo excesso de trabalho pode causar várias doenças. Na série “Gossip Girl”, que teve sua estreia em 2007, a personagem Blair Waldorf, após passar dias trabalhando praticamente sem descanso, desmaia e tem que ser examinada por um médico, que a indica imediatamente um repouso. Não muito obstante da ficção, diversas doenças podem ser relacionadas ao excedente das horas de trabalho, como por exemplo, a Síndrome de Burnout, que é um distúrbio psíquico que pode levar à depressão devido a um estado de esgotamento mental e físico. Isso demonstra, portanto, como o trabalho em excesso pode ser prejudicial a vida das pessoas.
Além disso, outro aspecto a ser abordado é como a falta de regulamentação dos trabalhos informais atuais faz com que as empresas tenham ainda menos responsabilidades com os funcionários. Assim, em Setembro de 2019, um entregador do aplicativo “Rappi” sofreu um AVC durante uma entrega e morreu após a empresa negar socorro, se preocupando apenas com a dinâmica de suas entregas. Tal fato relaciona-se diretamente com o que ficou conhecido como uberização do trabalho, que, apesar de fornecer um caminho aos desempregados que procuram renda para sobreviver, precariza o serviço por não haver nenhuma garantia de direitos previstos por lei. Dessa forma, o trabalhador, visando um salário, coloca-se em posição de risco, já que não apresenta quaisquer direitos com o empregador.
Portanto, a falta de uma regulamentação adequada dos trabalhos atuais representa uma ameaça concreta não apenas aos indivíduos diretamente envolvidos, como a todos os cidadãos que, indiretamente, também figuram como vítimas de seu legado. Nesse sentido, o Ministério do Trabalho deve reformular as leis trabalhistas que regem o país, por meio da inserção de cláusulas referentes aos trabalhos informais utilizados principalmente por aplicativos que terceirizam seus serviços. Espera-se, com isso, que o trabalho no Brasil não seja utilizado de forma exploratória e que os devidos direitos sejam conquistados por seus cidadãos. Assim, a corrente que mantém o trabalhador preso a empregos com condições precárias se quebrará, permitindo um recomeço digno àqueles que foram subordinados.