A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 22/08/2020
Sexta-feira, onze horas da noite, o entregador de comida, que trabalha por aplicativo, o trabalhador fabril e o funcionário de uma empresa chegam em suas respectivas residências, depois de um árduo dia de serviço, contando os segundos para poderem descansar. Nesse contexto, além de terem que lidar com uma longa e exaustiva jornada de trabalho, os trabalhadores recebem um salário que não condiz com o esforço prestado. Eis aqui a realidade brasileira no que tange à exploração trabalhista.
Diante dessa perspectiva, torna-se válido ressaltar que, em conformidade com a Constituição, a jornada de trabalho não deve ser, na teoria, superior a oito horas diárias. Todavia, a sociedade moderna tece uma realidade oposta ao famigerado documento. De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Paraná, mais de 57% dos entregadores de alimentos afirmaram que enfrentam, diariamente, uma jornada de trabalho superior a nove horas. Dessa forma, o trabalhador não tem consciência do capital que produz, sendo submetido à exploração sistemática do trabalho.
Outrossim, faz-se mister salientar que, com o constante crescimento dos meios tecnológicos, seria racional pensar que todos os cidadãos tenham acesso ao citado meio, já que o Brasil ocupa a nona posição da economia mundial. Porém, a realidade apresenta traços que mostram o contrário. Com um mercado de trabalho que exige cada vez mais qualificação em “tecno áreas”, a maioria dos indivíduos - inexperientes e com um baixo conhecimento, têm a sua força de trabalho diminuída e quase obsoleta.
Portanto, infere-se que há, na sociedade moderna, não apenas evidente exploração trabalhista, mas também uma acentuada desigualdade, tanto de conhecimento quanto de recursos. Logo, cabe aos Poderes Legislativo e Executivo promover uma remuneração mínima aos trabalhadores, por meio de leis, que seja o suficiente para que possam arcar com as despesas básicas, além disso, providenciar recursos e manuais tecnológicos aos que mais precisam, com o fito de aumentar a qualificação dos trabalhadores e diminuir a exploração que ocorre às custas de seus serviços.