A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 18/08/2020

Na obra “Utopia", do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a exploração trabalhista apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência dos empregadores para com a saúde de seus empregados, quanto do sistema capitalista atual. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Primeiramente, é fulcral pontuar que o desleixo com a condição psicológica dos trabalhadores deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, é cada vez mais comum que indivíduos apresentem quadros como o de depressão, decorrentes da pressão que sofrem em seus ofícios na busca por um salário digno e pelas longas horas de trabalho, incluindo as horas extras muitas vezes não remuneradas. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar o modelo de produção capitalista como promotor do problema. De acordo com o escritor e jornalista brasileiro Millôr Fernandes, o capitalismo é a exploração do homem pelo homem. Partindo desse pressuposto, é possível observar que esse modelo de produção tem como objetivo principal o lucro, não se importando muitas vezes com as condições do trabalhador desde que esse produza. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, contribuindo para a perpetuação desse quadro.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar a exploração no ambiente de trabalho, necessita-se, urgentemente, que o Ministério do Trabalho inspecione o cumprimento das leis trabalhistas já existentes, através da fiscalização de empresas e instituições, de modo a aplicar medidas de punição judiciais aos que não estejam de acordo com a lei. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da exploração trabalhista, e a coletividade alcançará a Utopia de More.