A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 21/08/2020
O documentário “Indústria Americana” apresenta o cotidiano precário de trabalhadores na fabricação de vidro em uma empresa chinesa instalada nos Estados Unidos. Assim, é explicitado no filme a exposição dos empregados a condições inseguras de trabalho, com ausência de sindicato e longas jornadas produtivas. Tal qual a realidade da obra, hodiernamente muitas indústrias praticam algum tipo de exploração e deixam os indivíduos postos a modos precários no âmbito de trabalho, e por isso com uma má qualidade de vida. Nesse contexto, urge analisar a influência da globalização nos serviços escravos da contemporaneidade e suas consequências sociais.
Em primeiro plano, convém evidenciar a colaboração do sistema capitalista no processo de exploração. De certo, a globalização e o capitalismo estimularam a precarização do trabalho crescente nas últimas décadas e a estruturação de empresas sem regulamentação ou revindicação coletiva por conta do acelerado movimento de capital e da expansão do neoliberalismo- modelo que implica desregulação, privatização e remoção das proteções sociais. Além disso, há também a corrida pelo mercado internacional, que exige cada vez mais uma maior produção em menor tempo e custo. Logo, uma garantia disso é a colocação de países como China, que disputa intensamente por destaque comercial, em em um dos primeiros lugares dentre as nações com maior percentual da escravidão.
Convém também destacar, em segundo plano, a parcela da população que está imersa a esse tipo de empregabilidade. Em síntese, as pessoas submetidas à conjuntura de trabalho precário são indivíduos vulneráveis socioeconomicamente que em grande parte não concluiu o ensino básico. Destarte, a escravidão contemporânea é um reflexo da desigualdade social e da falta de fiscalização estadual das indústrias privadas e pode ser reduzida com a garantia de direitos humanos tais como o ensino escolar gratuito e de qualidade. Sob esse viés, como afirmou Immanuel Kant, filósofo da era moderna, o ser humano é aquilo que a educação faz dele.
Portanto, a exploração trabalhista na contemporaneidade está diretamente ligada às condições precárias de serviço e impacta negativamente a sociedade. Posto isso, cabe ao Ministério do Trabalho juntamente com outros órgãos de fiscalização, como receitas federais e estaduais, reunir informações sobre valores da produção e lucro das empresas com o fito de identificar desvios da lei. Além disso, o Governo deve investir em educação pública de qualidade para toda a população, a fim de que os indivíduos consigam alcançar níveis superiores e ingressar em serviços formais. Só assim, será garantida a proteção dos trabalhadores e da vida digna.