A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 24/08/2020

O filme Tempos Modernos, dirigido por Charles Chaplin, que também interpreta o personagem principal, retrata a sociedade de massa na primeira metade do século XX. A obra faz uma crítica à exploração dos empregados pelos donos dos meios de produção. Ainda que tenha sido lançado em 1936, é possível traçar um paralelo com os dias atuais, nos quais tem sido cada vez mais visível a exploração trabalhista a qual muitas pessoas são expostas. Seja pela flexibilização das relações laborais devido aos altos índices de desemprego ou pela necessidade cada vez maior por mão de obra especializada, esse problema ainda se mostra distante de uma solução.

A princípio, é válido ressaltar que, de acordo com o IBGE, cerca de 12,8 milhões de brasileiros estão atualmente desempregados, e pouco mais de 1,2 milhão perderam o emprego durante a pandemia. Com a redução no número de vagas de trabalho, a única opção para muitas pessoas obterem uma fonte de renda acaba sendo a prestação de serviços por aplicativos, sobretudo nos setores de entregas e transporte. O problema é que, mesmo com a flexibilidade proporcionada por essa modalidade de trabalho, os trabalhadores muitas das vezes não contam com nenhuma garantia ou direito trabalhista, se submetendo à jornadas exaustivas e ganhando menos de um salário mínimo.

Paralelamente a isso, muitos profissionais esbarram na necessidade cada vez maior por mão de obra especializada. Segundo dados de uma pesquisa realizada pelo ManpowerGroup em 2019, 54% das empresas brasileiras relataram ter falta de trabalhadores qualificados, enquanto em 2009, o índice era de 30%. Com isso, muitos estudantes de nível superior têm demorado mais tempo para entrarem no mercado de trabalho, procurando fazer uma pós-graduação, MBA ou até mesmo cursos de idiomas ou uma segunda graduação. Enquanto isso, profissionais veteranos são considerados obsoletos pelos empregadores, e encontram dificuldades para se recolocarem no mercado. Outrossim, essa demanda contribui para o aumento das desigualdades sociais, uma vez que somente aqueles que podem investir tempo e dinheiro conseguem se especializar.

É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para resolver essa problemática. Para isso, cabe ao Governo combater o desemprego através do incentivo à iniciativa privada, através de isenções fiscais para a criação de postos de trabalho, além de estimular o crescimento e a promoção de cursos profissionalizantes e de especialização através do Sistema S, que engloba diferentes setores empregatícios. Ademais, cabe ao Ministério da Justiça garantir por meio de leis que regulamentem os serviços por aplicativo, garantir que os prestadores de serviços tenham seus direitos trabalhistas assegurados. Somente assim, o problema poderá ser solucionado.