A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 24/08/2020

Analisando as transformações sociais advindas da revolução industrial, Karl Marx formulou as ideias da lógica do capitalismo, que segundo ele, se sustenta na exploração e dominação da burguesia sobre a classe operária. Dessa forma, as condições desumanas vividas pelos trabalhadores movimentaram as lutas em busca dos seus direitos, e por meio disso, foram conquistadas as Leis Trabalhistas que assegurariam a dignidade dos mesmos. No entanto, no cenário atual, como forma de se obter maior lucro, o empregado continua sendo explorado e exposto a condições desumanas, que ainda são corriqueiras devido aos empecilhos na fiscalização da aplicabilidade dessas Leis. Inicialmente, é importante destacar as diferentes formas de exploração, bem como suas consequências. Nesse âmbito, segundo o sociólogo Sérgio Buarque, a desumanização do trabalhador é proveniente da priorização do acúmulo de capital acima da qualidade de vida dos operários, transformando-os em meros números. Com base nisso, para obtenção de maiores lucros os trabalhadores são expostos às cobranças severas, intensa produtividade em um curto tempo, descontrole sobre o ritmo de trabalho, ambientes competitivos, e outras formas de assédio moral. Esse tipo de ambiente, além de afetar a produtividade do empregado, causa graves consequências à saúde, como a ansiedade, doenças cardiovasculares e depressão. Em 2016 a previdência pública registrou setenta e cinco mil pessoas afastadas do trabalho devido a essa doença, e segundo a organização mundial da saúde, até 2020 essa enfermidade será o motivo que mais incapacitará trabalhadores no mundo. Consoante a isso, apesar do fim da escravidão, ainda são comuns relações de trabalho análogas a essa atividade. Antes se considerava analogia a escravidão quando o individuo era exposto às condições degradantes, trabalho forçado, restrição de locomoção devido às dividas, jornadas exaustivas, entre outras circunstancias que abrangiam diversas situações, após a ressignificação reconhecida Legalmente, são considerados apenas os casos que o individuo possui sua liberdade limitada, dificultando ainda mais a ação dos órgãos fiscalizadores. De acordo com o Ministério Público do Trabalho, de 1995 a 2017, cinquenta e duas mil pessoas foram resgatadas de trabalhos escravistas, e se as fiscalizações ocorressem após o novo conceito, 90% desses casos não seriam inclusos e muitas pessoas poderiam continuar nessa realidade desumana. Portanto, torna-se imprescindível a intervenção dos poderes Jurídico, Legislativo e Executivo, juntamente com o governo, fortalecendo os órgãos fiscalizadores, aprimorando leis já existentes, de forma a elaborar e aplicar punições mais rigorosas aos praticantes de atividades escravistas e abuso moral, além da ação do ministério da saúde, ofertando tratamento psicológico a pessoas que passaram por situações traumáticas. Bem como a interferência da secretaria de comunicação social em conjunto com a mídia, abordando em programas populares, novelas, propagandas e publicidades, informações sobre o que é e como se prevenir dessas circunstancias, divulgando também o número do disque denúncia para esses casos, a fim de alertar a população e estimular autopreservação e a denuncia, fazendo com que os autores sejam cada vez mais expostos e punidos severamente, e dessa forma, garantir aos trabalhadores a sua dignidade e os direitos estabelecidos por Lei.