A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 20/08/2020
No longa-metragem “Tempos Modernos” estrelado por Charles Chaplin, nota-se a intensa exploração da mão-de-obra através de movimentos repetitivos na linha de produção e uma jornada exaustiva de trabalho. Vale citar, entretanto, que apesar do filme ter sido lançado há praticamente um século, a exploração trabalhista não foi erradicada, apenas tomou novas formas de acordo com a modernidade. Com isso, é necessário discutir sua origem, bem como sua configuração na atualidade e desdobramentos no âmbito social e econômico.
Em primeira análise, destaca-se a criação da Consolidação de Leis trabalhistas, que surgiu durante o governo de Getúlio Vargas e assegurou aos trabalhadores conquistas como férias remuneradas e descanso semanal. Paradoxalmente, percebe-se que tem crescido o número de prestadores de serviço informais, os quais abdicam de seus direitos e sujeitam-se, muitas vezes, a condições insalubres em troca de salários abaixo do mínimo. Torna-se claro, portanto, que isso consiste numa precarização do trabalho, a qual foi intensificada pelo processo de mecanização do campo, no qual o homem foi substituído pela maquinaria, e com falta de oportunidades migrou para os centros urbanos, onde foi obrigado a aderir à flexibilização de seus direitos para sobreviver.
Diante disso, constata-se que a exploração trabalhista estende-se pelos mais diversos setores da economia, no entanto há uma área em que o número de empregados informais cresce exponencialmente: a dos entregadores de aplicativo, pessoas que ganham apenas por entrega sem receber uma taxa fixa por parte das empresas para as quais trabalham. Dessa forma, esses trabalhadores carecem de seguridade social, pois não são pagos o suficiente a fim de contribuírem para fundos de aposentadoria, portanto estão a mercê da demanda diária dos clientes. Vale citar, ademais, que com o aumento das exigências de emprego, esses entregadores, em sua maioria jovens, distanciam-se ainda mais do trabalho formal, uma vez que com a rotina apertada não possuem tempo para estudar e obter as especializações requeridas no mercado, o que dificulta sua ascensão social.
Portanto, é imprescindível que a lógica vigente das grandes empresas, que prioriza somente o lucro em detrimento à integridade do proletário, seja revista a fim de impor condições dignas em seu ofício. Para isso, é essencial a ação da Justiça do Trabalho no ato de pressionar essas empresas para que atendam algumas reivindicações como o aumento da taxa de ganho por entrega, o reajuste anual desse valor e a entrega de equipamentos de proteção para amenizar acidentes no trânsito. É lúcido afirmar que a partir disso, será possível o desempenho de um trabalho digno por parte desse grupo vulnerável à exploração contemporânea.