A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 23/08/2020
“Industria Americana”, é um documentário vencedor do Oscar de 2020 que retratou a condição de precarização do trabalhador americano quando uma empresa chinesa de produção de vidros para veículos se instalou na região de Detroit. Baixos salários, condições de segurança deficientes, rígida disciplina e restrições a sindicalização são a face mais eloquente do conflito entre capital e trabalho. Longe de ser exceção, a precarização parece ser a face visível da exploração trabalhista na sociedade moderna.
Em primeiro lugar, podemos tomar como referência a realidade brasileira, como no caso dos entregadores de aplicativo que trabalham com o uso de bicicletas. Em recente pesquisa na capital paulista, aferiu-se que alguns trabalham mais de quinze horas por dia e outros chegam a rodar por 24 horas para cumprir as entregas para restaurantes e escritórios. Assim, trabalhar de segunda a domingo sem contrato, em jornadas extensas, se arriscando entre carros e ônibus, sem garantias ou proteção legal e, muitas vezes, por menos de um salário mínimo, é a realidade de uma grande parcela de jovens.
Em uma segunda análise, podemos citar o caso dos campos de vinhas da região do Beaujolais, no leste de França, em que várias fazendas foram investigadas por suspeita de exploração ilegal de trabalhadores búlgaros durante a época da colheita de uva. Neste caso, as autoridades búlgaras, identificaram até ao momento 167 supostas vítimas de uma rede que enviava pessoas para trabalharem em vinhas francesas, alojadas em instalações precárias e sem receberem o pagamento devido.
Portanto, longe de serem casos isolados, tais situações demonstram a necessidade de uma ação conjunta de vários organismos mundiais para discussão e elaboração de medidas que aumentem a proteção a direitos trabalhistas. Neste sentido, a OIT no âmbito da ONU, deve propor aos países membros que construam uma legislação forte de amparo e segurança ao trabalho e que, no âmbito do executivo, sejam tomadas medidas mais duras de punição à exploração do trabalho.