A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 07/09/2020

No filme “Tempos Modernos” estrelado em 1936 por Charles Chaplin, é retratado a exploração trabalhista nas fábricas durante a revolução industrial. Na cinematografia, o ator usa o humor para criticar a cruel realidade na qual os operários são submetidos a longas jornadas de trabalho, esforços mecanicistas e repetitivos, além da desigualdade salarial. Fora da produção e décadas depois, o trabalho na sociedade moderna ainda é motivo de discussão,  uma vez que a flexibilização de direitos e o desrespeito ao bem-estar individual são figurados como “prerrogativas” na qual os funcionários estão submetidos.

É necessário pontuar que com a revolução digital proporcionada pela tecnologia, o trabalho foi submetido à mudanças, permitindo cenários não previstos por lei. Isso acabou gerando uma flexibilização de direitos ou até mesmo a ausência deles. Na prática, isso se tornou realidade com os “trabalhadores de aplicativo”, que recebem o dever a ser cumprido por um dispositivo conectado à internet. Nesse tipo de labuta, as pessoas, em sua grande maioria, não possuem quaisquer direitos trabalhistas, previdenciários ou asseguratórios. Segundo estimativas do IBGE, ao menos 10% da população  metropolitana já trabalhou ou trabalha com esse tipo de regime, e deste percentual, mais da metade está nessa atividade por conta de falta de oportunidades no mercado de trabalho.

Não obstante, cada vez mais existe uma tendência à trabalhos alinhados à produtividade e não a qualidade. Com isso, é incentivado maiores cargas horárias de trabalho, indo em contra-mão ao bem-estar do trabalhador. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 4 em cada 10 pessoas desenvolvem doenças em decorrência de atividades trabalhistas.  Esse cenário se agrava quando não existem leis que regulamentem as atividades profissionais. Uma pesquisa do jornal EL País, revelou que cerca de 50% dos jovens de trabalham em atividades não regulamentadas legalmente no Brasil, têm jornada entre 10 e 12 horas por dia.

Portanto, são necessárias ações para se combater a exploração trabalhista na sociedade moderna. Dessa forma, se torna imprescindível que o Governo, por meio do Ministério do Trabalho, regulamente e fiscalize as novas atividades profissionais, garantindo direitos aos trabalhadores, de maneira que assegure que eles possam exercer-los no mercado de trabalho. Ainda, o Governo, por intermédio do Ministério do Trabalho e do Ministério da Saúde, deve priorizar e assegurar mecanismos nos quais permitam que trabalhadores possam cuidar de sua saúde, e tendam à não desenvolverem comorbidades em decorrência de atividades laborais.