A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 01/09/2020

Embora a globalização tenha alavancado o encurtamento de distâncias e a propagação da diversidade, grandes conquistas para a sociedade como um todo, é inegável que o fluxo desmedido de informação e o desenvolvimento de novas tecnologias provocaram mudanças profundas no capitalismo atual e, por consequência, nas relações de trabalho modernas, precarizando-as. Assim, é imprescindível colocar tal tópico em pauta , analisando-o sob óticas sociológica e filosófica.

Em primeiro lugar, a fim de discutir a precarização do trabalho de forma mais aprofundada, é crucial entender por que ela está ocorrendo em primeiro lugar, podendo-se recorrer ao conceito de liquidez desenvolvido por Bauman. A fim de analisar a relação do homem com a modernidade, o sociólogo afirma que a exposição constante de informação volatiza o indivíduo, tornando-o ansioso pelo novo, pelo rápido e pelo fácil, ou seja, “líquido”. Como consequência, houve um aumento no consumo que, naturalmente, foi acompanhado pelo mercado visando aumentar seus lucros. Este se utilizou da automatização, que eliminou diversos postos de trabalho e acirrou a competitividade já presente, e do desenvolvimento dos transportes para transferir suas fábricas para países com legislação mais frouxa. Por conseguinte, o resto do mundo não teve opção a não ser flexibilizar as próprias leis para atender às demandas mercadológicas  e combater o desemprego.

Porém, surge o questionamento: se isso está ocorrendo, por que os trabalhadores não se manifestaram? Afinal, mesmo que o Estado quisesse fazê-lo, se a sociedade civil se mobilizasse, isso não seria aceito. A explicação para tal pode ser traçada a partir do pensamento de Byung-Chul Han que atribui a precarização do trabalho à violência do indivíduo para com ele mesmo, decorrida do excesso de positividade, isto é, da atitude “sim, podemos, nós podemos fazer tudo” que permeia o imaginário coletivo. Nesse âmbito, pode-se afirmar que a lógica de mercado foi interiorizada de tal forma que a competitividade, a cobrança, o excesso de horas trabalhadas e a diminuição dos salários e benefícios são impostas pelo próprio funcionário a ele mesmo. Em suma, a rudimentarização de direitos trabalhistas só ocorre porque é possibilitada pela própria massa trabalhadora.

Por conseguinte, atesta-se que uma das mais atrozes consequências da globalização é o agravo das condições laborais que serve a uma lógica mercadológica desumana. Desta forma, com o intuito de reverter tal situação, é crucial que os sindicatos, responsáveis pela causa trabalhista, mobilizem os trabalhadores a lutar por seus direitos por meio da educação das massas através de palestras gratuitas em locais públicos. Apenas assim, o país caminhará para um capitalismo não só mais rentável, como mais humano.