A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 04/09/2020
No ano de 1530, iniciava, em território nacional, a colonização do Brasil por Portugal, marco histórico em que foi instituída a injustificável escravidão de pessoas oriundas da África. No limiar do século XXI, é perceptível que, embora a Lei Áurea tenha sido promulgada há mais de um século, o trabalho escravo ainda persiste no Brasil contemporâneo. Com efeito, faz-se fulcral analisar a cobiça descomunal dos patrões e a desumanização dos trabalhadores subalternizados como causadores da perenidade desse imbróglio.
Infere-se, inicialmente, que a ganância de indivíduos abastados impede a extinção da escravidão no país. Sob esse viés, cabe destacar o filme “Doze Anos de Escravidão”, o qual aborda, dentre outras temáticas, a truculência de dois ricos donos de escravos que viviam nos Estados Unidos do século XIX e que, para obterem lucro, exploravam intensamente as pessoas. Analogamente, a realidade atual do Brasil se assemelha com a ficção, uma vez que o trabalho escravo do país é financiado por pessoas que têm condições econômicas para esconder essa injustiça da fiscalização de órgãos públicos competentes. Assim, esses fatores dificultam a notificação e a punição dos criminosos que utilizam a escravização como método de acumulação de capital, o que corrobora a permanência da prática. Outrossim, é fundamental apontar a incomensurável objetificação dos escravos. Nesse ínterim, é pertinente destacar o vínculo desse comportamento com a teoria de coisificação humana do sociólogo Karl Marx, a qual fala que o excruciante jogo capitalista despreza as subjetividades dos trabalhadores e os transforma em meras marionetes produtivas nas mãos dos empregadores. Diante dessa perspectiva, nota-se que os brasileiros escravizados vivenciam esse mesmo paradigma na hodiernidade. Dessa forma, eles são obrigados a servirem aos anseios de seus chefes, sem terem acesso aos direitos trabalhistas básicos, como férias, jornada de trabalho justa e décimo-terceiro salário.
Depreende-se, portanto, que é urgente a mitigação do trabalho escravo na sociedade brasileira. Para isso, é imprescindível que o Governo Federal reimplante o antigo Ministério do Trabalho, pois essa instituição dispunha de uma secretaria específica destinada à investigação e resgate de brasileiros em situação de trabalho escravo. Ademais, a ação se efetivaria por meio de recursos financeiros advindos da União e teria a finalidade de revitalizar esse importante órgão governamental e, com isso, retirar os cidadãos dessa degradante subordinação. Dessa maneira, o Brasil poderia, finalmente, se livrar desse impedimento à justiça do trabalho, que atormenta o país desde a colonização.