A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 21/09/2020
A Revolução Industrial-palco de transformações econômico-sociais ocorridas na Inglaterra no século XVIII-apresentou mudanças significativas na vida da população e exigiu uma adaptação ao novo sistema de produção, emergindo questões preocupantes em relação ao trabalhador. Analogamente, é notório, no contexto atual, a preocupação com a exploração trabalhista na sociedade moderna. Isso se deve à falta de atitude do governo e à omissão da sociedade, o que urge por mudanças.
Em primeiro lugar, vale destacar que a ineficácia governamental é uma questão fomentadora do abuso de poder com a classe trabalhadora na contemporaneidade. Essa correlação fundamenta-se pelo fato de que, no Brasil, há pouco investimento nos setores de fiscalização trabalhista, uma vez que, segundo pesquisas divulgadas no jornal “O Globo”, apenas 0,5% da renda nacional é voltada para essa questão(sendo que boa parte de tal investimento se concentra nos grandes centros urbanos, o que colabora para a exploração demasiada do trabalhador rural). Nesse sentido, há uma perpetuação de práticas consideradas análogas à escravidão, como as horas excessivas de trabalho e a pouca remuneração. Dessa forma, parafraseando Chico Xavier, a omissão de quem pode e não auxilia o povo é comparado a um crime contra toda a comunidade.
Vale ressaltar, ainda, que a omissão da sociedade é outro fator que está intrinsecamente relacionada com a exploração trabalhista na atualidade. Isso pode ser comprovado pela fala do jurista Márcio Brava que declarou, em entrevista à revista Le Monde Diplomatique Brasil, que o abuso de poder com uma significativa parte dos trabalhadores reside no silêncio da sociedade, uma vez que, segundo dados sociológicos, é estimado que menos de 30% dos casos de exploração trabalhista, no Brasil, são devidamente denunciados. Nesse contexto, as vítimas sofrem com a exclusão e o desrespeito à vida, à liberdade e à igualdade, questões que vai de encontro à democracia divulgada na sociedade moderna. Dessa maneira, a sociedade se torna vítima das suas próprias omissões e contradições.
Infere-se, portanto, que a ineficácia estatal e à omissão da sociedade são fatores impulsionadores da exploração trabalhista na sociedade moderna. Logo, a fim de mitigar essa problemática, é imperativo que o Governo Federal, por meio da arrecadação dos impostos nos grandes centros urbanos, invista na contratação de fiscalizadores (além da sua preparação para esse cargo), principalmente, em locais longínquos dos grandes centros urbanos. Paralelamente, é necessário que a mídia promova debates com especialistas nessa área, além de entrevistas com indivíduos que já sofreram com essa problemática, a fim de conscientizar, por meio de experiências reais, uma atitude por parte da sociedade. Agindo assim, uma sociedade mais justa será formada para ação e benefício de todos.