A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 29/09/2020

Segundo o sociólogo Weber, a sociedade é um organismo vivo, constantemente se modificando, principalmente as relações interpessoais como o trabalho. No Brasil, apesar da vigência das leis trabalhistas, criadas por Getúlio Vargas, e do Ministério do Trabalho, percebe-se que os trabalhadores modernos estão sendo cada vez mais explorados. Essa exploração tem como ponto de partida a globalização e o capitalismo que exigem cada vez mais dos indivíduos, pregando um sistema meritocrata impossível em uma sociedade tão desigual e um estilo de vida baseado no ininterrupto trabalho.

Apesar da existência de leis trabalhistas que asseguram o bem estar geral do trabalhador, os crescente índices de desemprego e a baixa escolaridade estão consolidando uma crescente exploração trabalhista nos centros urbanos, vista principalmente em serviços de atendimento e delivery. Os prestadores desses serviços são, em sua grande maioria, moradores periféricos, negros ou pardos, com o ensino fundamental e/ou ensino médio incompleto. Esses, por não atenderem o grau de especialização exigido pelo mercado de trabalho se sujeitam a trabalhos com expedientes muito semelhantes aqueles da Revolução Industrial, sem proteção, garantias e esperança de um futuro melhor.

Em contra partida, há os trabalhadores com formação escolar mais elevada, que trabalham em pequenas e grandes empresas, como as multinacionais. Esses, apesar de terem assegurados as leis trabalhistas, são constantemente cobrados de altos índices de produtividade, modelo vigente no capitalismo empresarial.  Como consequência, esses indivíduos levam o trabalho para casa, extrapolando as horas semanais de serviço e tendo cada vez menos tempo para si e suas famílias.  Esses homens e mulheres modernos estão se tornando cada vez mais sozinhos, cansados e doentes.

Dessa forma é preciso fazer valer as leis trabalhistas e mudar a concepção de trabalho na sociedade moderna. Para isso é necessário que o Ministério do Trabalho, juntamente com o  Ministério da Justiça, crie ouvidorias especializadas em recebimento de denúncias e fiscalização de estabelecimentos, penalizando, por meio de multas, aqueles que contrariem as Leis trabalhistas. É de suma importância que o Ministério da Educação e o Ministério Cidadania se unam em campanhas de conscientização das leis trabalhistas, para que saibam seus direitos, e criem programas de ensino técnico focados nas populações periféricas e que torne mais acessível programas de conclusão de ensino fundamental e médio. Por fim, cabe ao Ministério da Saúde, aliado ao Ministério da Cidadania, combater a percepção de que trabalhar ininterruptamente é saudável, para que assim, diminua-se a exploração trabalhista.