A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 06/10/2020

A exploração laboral, infelizmente, é uma prática que acompanha o percurso histórico da humanidade desde a antiguidade até o momento atual. Nesse sentido, ao longo dos séculos e com muito esforço, os trabalhadores conquistaram direitos, os quais possibilitaram melhorias em sua qualidade de vida. Entretanto, no Brasil contemporâneo, devido ao alto índice de desemprego, percebe-se uma regressão nesse processo e um consequente aumento da exploração trabalhista.

Em primeiro lugar, é importante destacar que o elevado desemprego e a necessidade de garantir sua sobrevivência têm levado o brasileiro a se submeter a condições de trabalho extremamente desgastantes. Isso acontece porque, em quase todos os setores do mercado, há uma demanda crescente por mão de obra especializada. No entanto, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 20% da população concluiu o ensino superior. Nessa perspectiva, nota-se um desequilíbrio entre as exigências mercadológicas e a realidade educacional de grande parte da sociedade. Esse desbalanço, por sua vez, resulta ainda segundo o IBGE, em uma taca de aproximadamente 12% de desemprego. Assim, diante de um cenário tão negativo, a população tem se submetido a condições laborais extenuantes para garantir seu sustento.

Como consequência desse contexto de desemprego e exploração trabalhista, surgiu o fenômeno da “uberização” do trabalho, ou seja, o enfraquecimento das relações laborais em detrimento do trabalhador. Esse processo que acontece não só no Brasil, mas em todo o mundo, foi observado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, que o chamou de modernidade líquida, um período da história da humanidade em que todas as relações, inclusive os vínculos trabalhistas, se tornaram mais frágeis. Dessa forma, a necessidade de sobrevivência e a supressão de direitos dos trabalhadores, criou um ciclo vicioso de exploração que esgota uma considerável parcela da população com longas jornadas de trabalho e dificulta a reivindicação por melhores condições laborais. Prova disso foi a recente aprovação, no país, de uma reforma trabalhista que aumentou a vulnerabilidade dos trabalhadores.

Conclui-se, portanto, que, a fim de combater a exploração laboral no Brasil, o Ministério da Economia deve fomentar uma política de concessão de crédito para pequenos empreendedores. Essa medida deve favorecer a busca por cursos de aprimoramento nas mais diversas áreas, bem como a criação de novas empresas e a expansão dos empreendimentos já existentes. Assim, será possível suprir parte da demanda por profissionais mais qualificados, além de ampliar os postos de trabalho e reduzir o desemprego.