A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 06/10/2020
Segundo o filósofo francês Renê Descartes “Não existem métodos fáceis para resolver problemas difíceis”. Essa frase nos remete a ideia de que, até os dias atuais o homem não conseguiu resolver as mazelas que assolam a humanidade. Nesse contexto, é necessário discutir os aspectos sociais e econômicos que englobam a exploração trabalhista na sociedade moderna.
Desde a criação da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) em 1943, muita coisa mudou no conceito de trabalho e, principalmente, como este é desenvolvido. Se antes a jornada e o local de trabalho eram bem definidos, como em indústrias e escritórios, com o avanço das tecnologias da informação e comunicação atuais quase não há limites para que o trabalhador desempenhe seus ofícios sem que precise se deslocar a um local específico. De acordo com o IBGE, entre 2017 e 2018, o teletrabalho ou “home-office” cresceu cerca de 20% no Brasil, o que mostra que esta modalidade tem ganhado cada vez mais espaço em nossa sociedade. Contudo, essa facilidade de acesso ao trabalho também acarretou num aumento da sobrecarga de trabalho, uma vez que o profissional está sempre acessível para as necessidades do contratante ou cliente.
Ademais, o mundo tem avançado cada vez mais para a chamada “4ª Revolução Industrial”, que é baseada na automação robótica em diversos setores. Segundo a Organização Mundial do Trabalho (OIT) desde 2010 o número de robôs industriais cresce a uma taxa de 9% ao ano e, consequentemente, aumentam-se também a quantidade de pessoas desempregadas e que aceitam trabalhar por um salário menor ou mesmo que se sujeitam a trabalhos precários como prestação de serviços por aplicativos a fim de sobreviver, afinal, “o homem é o único animal que precisa trabalhar” - Immanuel Kant.
Isto posto, para solucionar a questão da exploração trabalhista na sociedade moderna é mister que o Governo, por meio do Poder Legislativo e Executivo criem leis que assegurem jornadas salutares e salários dignos aos trabalhadores. Além disso, para as empresas que optem para a automação de mais de 50% de suas atividades, deve-se criar imposto para cada robô, a fim de custear um programa de renda básica as pessoas desempregadas, como forma de garantir remuneração mínima para a dignidade destes e de suas famílias. Dessa forma, o Brasil poderá avançar para uma sociedade que traga mais garantias em vez de exploração aos trabalhadores.