A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 24/10/2020

Pontes Newtonianas                                                                             “Construímos muitos muros e poucas pontes”. Essa afirmação do teólogo e cientista Isaac Newton pode ser facilmente aplicada à exploração trabalhista na sociedade moderna , já que essa problemática é marcada na sociedade por concentrar a construção de barreiras sociais e a escassez de medidas para sua erradicação. Nessa perspectiva, torna-se claro que esse panorama tem origem no comodismo da população, dessa forma emerge problemas complexos que precisam ser revertidos. Assim, agrava o quadro central não só um individualismo, como também, uma carência reflexiva.                                        Em primeiro plano, é preciso atentar para o individualismo presente na questão. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange a exploração trabalhista na sociedade moderna. Essa liquidez que influi sobre a questão trabalhista funciona como um forte empecilho para sua resolução, pois dificulta a igualdade de direitos trabalhistas na  contemporaneidade, e contribui com o crescimento de problemas sociais.                 Além disso, outra dificuldade enfrentada é sobre uma carência reflexiva. Dados de uma pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Fundação Walk Free, revela a verdadeira escala da escravidão moderna em todo o mundo. Os dados mostram que mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo foram vítimas da escravidão moderna em 2016. Pela interpretação dos índices, percebe-se que a população gerou um comodismo social em torno do problema, uma vez que, apesar dos dados serem alarmantes, os cidadãos não tem tentado reverter e refletir sobre essa problemática, contribuindo, nesse contexto, para o aumento de desigualdades sociais e trabalhistas, além de naturalizarem a contínua exploração sobre os serviços trabalhistas.                                                               Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Então, é preciso que o Ministério da Educação e do Trabalho, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, desenvolvam “workshops”, em escolas, sobre a importância da empatia para o enfrentamento de problemas sociais, o que proporciona assim, uma reflexão social que leve ao equilíbrio da sociedade. Tais atividades devem ser direcionadas aos alunos, porém, o evento pode ser aberto à comunidade. Além disso, podem ser oferecidas atividades práticas, como dramatizações e dinâmicas, a fim de tratar o assunto de forma lúdica, para que a empatia seja uma prática presente em situações de questões trabalhistas na sociedade. Dessa forma, mais “pontes newtonianas” serão construídas, e muros, derrubados.