A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 26/10/2020

De acordo com Aristóteles, “A base da sociedade é a justiça”. Entretanto, o atual contexto contemporâneo contraria-o, uma vez que a exploração trabalhista demonstra-se como uma questão de injustiça, o que desestrutura a base da sociedade. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar fatores como a priorização dos interesses financeiros e uma lacuna legislativa, além de explorar condutas conscientes por toda população ativa.

A princípio, considerando o atual panorama de aproveitamentos abusivos nas esferas trabalhadoras refletido pela sobreposição das propensões monetárias de gestores e proprietários, deve-se destacar a necessidade de um maior engajamento sociopolítico. Nesse sentido, observa-se que, diante de sistemas excludentes, falta de investimento e, em particular, de cenários políticos instáveis, é inegável a presença de superexplorações nos trabalhos com remunerações informais e precárias. Afinal, segundo Joaquim Maria Machado de Assis, escritor brasileiro, “O capital existe, se forma e sobrevive à custa da sociedade que trabalha demais e nem sempre é recompensada pelos lucros que gera”.

Outrossim, essa temática remete a uma insuficiência judiciária, bem como ao silenciamento da ausência dos direitos e garantias trabalhistas como produtos da vacuidade de leis estabelecidas. Para Hideraldo Montenegro, pensador e poeta brasileiro, nenhum estado pode ser justo se as leis que o compõe não vêm dos anseios populares. Dessa forma, é preciso estar atento ao fato de que, além de recursos públicos, ampliar os debates acerca da isonomia nas ocupações dos assalariados e disseminar a utilidade de normas e medidas justas de trabalho requerem a atenção responsável de todos os envolvidos nas dinâmicas jurídicas e econômicas.

Portanto, mais do que um tema pertinente, a veracidade da exploração trabalhista na sociedade moderna representa uma grande objeção. Para que cesse, o Poder Legislativo em paralelo ao Poder Judiciário, como órgãos de estado, de cada país, responsáveis por defender os direitos do cidadão, julgando e punindo prováveis conflitos, devem instituir regulamentações protecionais mais severas entre o empregador e o empregado e, sobretudo, promover a igualdade social e econômica como transformação de base. Para tanto, por meio do combate à corrupção e da defesa e asseguração da educação pública e íntegra, a fim de garantir a valorização dos diversos profissionais presentes e a diversidade de empregos satisfatórios para uma nação equilibrada. A partir dessas ações, espera-se propiciar melhores condições e vivências latentes nos inúmeros ramos de ofício ofertados.